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Faxinal Do Soturno

"Continuo com a mesma gana de quando comecei", diz Joca Martins 

Cantor fala sobre os 40 anos de carreira, a infância, a família, os desafios e os sonhos que ainda pretende realizar

Em outubro deste ano, João Luiz Nolte Martins, o Joca Martins, completa 40 anos de carreira. Natural de Pelotas, o cantor é considerado um dos principais nomes da música gaúcha e, ao longo de quatro décadas, construiu uma trajetória marcada por festivais, discos premiados, reconhecimento nacional e internacional e uma forte ligação com a cultura do Rio Grande do Sul.

Hoje, Joca vive em Faxinal do Soturno ao lado da esposa, a cantora e empresária Juliana Spanevello, e das filhas Maria Laura, de 13 anos, e Maria Cecília, de 7. Entre um chimarrão e outro, recebeu a reportagem da Rede Jauru para relembrar a caminhada que começou ainda na infância.

O primeiro contato com a música veio dentro de casa. O avô, que tocava gaita, despertou o interesse do pequeno Joca. Pouco tempo depois, aos seis anos, um desenho reforçou ainda mais essa ligação. "O contato com a música começou cedo, inspirado pelo meu avô, que tocava gaita. Outro ponto marcante foi quando participei, na escola, de uma atividade chamada Iniciação Musical, com a professora Nara Duval. Eu tinha seis anos e ali comecei a ter o primeiro contato direto com a música. A gente fazia apresentações com músicas infantis. Sempre digo que isso nasceu em mim, porque outra lembrança muito forte foi quando eu estava desenhando em casa. Fiz um gato com um violão e escrevi, como se ele estivesse cantando: 'É por isso que canto amor'. Acho que esses três momentos foram marcantes para eu entender, hoje, por que segui a carreira musical."

Na adolescência, a música já ocupava boa parte da rotina. Durante o ensino médio, o violão muitas vezes falava mais alto do que a sala de aula. "Não é um bom exemplo, mas às vezes a gente espichava o intervalo e ficava no CTG, em volta do fogo, dedilhando, aprendendo. Éramos todos uns guris."

 

Os festivais abriram as primeiras portas
Como aconteceu com grande parte dos artistas da música regional, os festivais foram o caminho natural para ganhar experiência, visibilidade e conquistar espaço.

A estreia aconteceu aos 18 anos, no Festival Charqueada, em Pelotas. A apresentação no auditório do Colégio Gonzaga marcou o início de uma sequência de participações em eventos espalhados pelo Rio Grande do Sul, período em que o rádio era o principal elo entre os artistas e o público.

Enquanto a carreira dava os primeiros passos, Joca contou com um incentivo decisivo dentro de casa. "Eles topavam tudo, me apoiavam em tudo, era incrível. Até hoje é assim. Sei que muitos pais têm receio quando os filhos querem seguir uma carreira artística. Acho que eu também teria se minhas filhas me dissessem isso. Mas meus pais estiveram comigo desde o início. Esses momentos da infância, o apoio deles e o gosto que sempre tive pelas coisas do campo foram fundamentais para eu acreditar que podia viver da música."

 

A escolha entre o canto lírico e a música gaúcha
Antes de ingressar na faculdade de Música, Joca precisou passar por um teste de aptidão. Para isso, iniciou aulas de teoria musical e acabou descobrindo um novo universo. "Precisava aprender a ler as notas musicais, então fui fazer um curso. Foi ali que também tive contato com o canto lírico. Na época nem me dei conta da importância disso, mas depois, na faculdade, percebi que tinha condições técnicas para seguir nesse caminho."

Apesar da afinidade, a realidade do mercado fez com que precisasse escolher. "Eu gostava do canto lírico, me dava bem, mas fui percebendo que era uma área muito restrita. Em Curitiba conversei com pessoas de várias partes do país e entendi que, para viver disso, praticamente teria que seguir no canto coral ou morar fora do Brasil, onde esse estilo é mais valorizado. Então voltei para aquilo que sempre esteve comigo: a tradição gaúcha. Foi ali que decidi qual seria o meu caminho."

 

O primeiro disco mudou tudo
A gravação do primeiro álbum, em 1995, representou o início da carreira profissional. 

Foi naquele momento que Joca percebeu que a música deixava de ser apenas um sonho para se transformar definitivamente em profissão. Na época, gravar um CD exigia convencer gravadoras, enfrentar um longo processo de produção e, depois de pronto, percorrer rádios e veículos de comunicação para apresentar o trabalho ao público.

 

A cavalgada que transformou sua carreira
Se existe um momento capaz de dividir a carreira de Joca Martins entre antes e depois, ele aconteceu em 2002. Determinado a romper a dificuldade enfrentada por artistas do interior para conquistar espaço na Capital, ele decidiu transformar um sonho em realidade.

"Na vida eu sempre fui muito a fundo. Nunca gostei de fazer as coisas por fazer. Sempre achei que tudo precisava ter um conceito e um contexto. Em 2002 sonhei que levava meu disco para Porto Alegre a cavalo para divulgar o trabalho. E fiz exatamente isso. Saí de Pelotas e fui até Porto Alegre. A mídia da Capital se interessou. Zero Hora, as rádios do Grupo RBS, a Rádio Rural, onde eu fazia boletins diários durante a viagem. Foi ali que eu consegui furar essa bolha e fiquei conhecido de verdade."

 

Discos de ouro e músicas que atravessam gerações
A estratégia de escolher temas ligados ao cotidiano do homem do campo também contribuiu para consolidar sua carreira. Em 2003 lançou Clássicos da Terra Gaúcha, álbum que conquistou Disco de Ouro e reúne algumas das músicas mais executadas até hoje. No ano seguinte veio Cavalo Crioulo, outro grande sucesso que também recebeu Disco de Ouro. "As músicas sempre eram pensadas na rotina das pessoas e no motivo que faria alguém querer ouvi-las. Naquela época, conquistar um Disco de Ouro tinha um significado muito grande porque era baseado na venda de CDs. Depois vieram o MP3, mais tarde, as plataformas digitais, que mudaram completamente o mercado."

Segundo o cantor, a forma de consumir música mudou radicalmente nas últimas décadas. "Hoje a gente grava uma música e ela pode ser ouvida em qualquer lugar do mundo no mesmo instante. Antigamente dependíamos do CD físico e da força das rádios. Os primeiros shows eram sempre perto de Pelotas, porque era onde o trabalho chegava."

 

Faxinal do Soturno virou lar

A mudança para Faxinal do Soturno aconteceu após o relacionamento com Juliana Spanevello. "No começo ainda fazíamos essa ponte aérea entre Pelotas e Faxinal. Depois, por uma questão afetiva e também pela logística, resolvi morar aqui. Estar no centro do Estado facilita muito, porque praticamente qualquer lugar fica a cerca de 300 quilômetros."

 

Quatro décadas de música

Ao longo da carreira, Joca Martins gravou 22 discos, quatro DVDs, conquistou dois Discos de Ouro e lançou dezenas de músicas nas plataformas digitais.

Também acumulou importantes reconhecimentos, como o Troféu Guri, do Grupo RBS (2017), o Prêmio Vitor Mateus Teixeira – Teixeirinha de Melhor Cantor (2005), o Prêmio Açorianos de Melhor Intérprete (2012), além do título de Cidadão Emérito de Pelotas, recebido em 2024.

Levou sua música para Argentina, Uruguai, Paraguai e também aos Estados Unidos, onde se apresentou em 2018 e 2024 durante o encontro da Federação Americana de Tradicionalismo, em Orlando.

Entre os principais sucessos da carreira estão Domingueiro, Se Houver Cavalo Crioulo, Barulho de Campo, Corcoveando e Recuerdos da 28.

 

Novidades para celebrar os 40 anos

Para marcar as quatro décadas de carreira, Joca prepara uma série de ações especiais. A principal delas é o lançamento de uma música por mês. A primeira já chegou às plataformas: uma nova versão de Recuerdos da 28.

Outra homenagem deve repetir um dos momentos mais emblemáticos de sua trajetória. Em novembro desde ano, o cantor pretende refazer a cavalgada entre Pelotas e Porto Alegre, revivendo a viagem que impulsionou sua carreira em 2002.

"O sentimento é de muita alegria. Amadureci, mas continuo com a mesma vontade e a mesma gana de quando comecei. Acho que sempre dá para evoluir, buscar mais. Quero continuar valorizando a tradição, realizar projetos novos e espero ter saúde para seguir fazendo aquilo de que sempre gostei. Tenho me cuidado mais nos últimos tempos justamente para continuar na estrada. Dividir o palco com grandes artistas, Renato Borghetti, Gaúcho da Fronteira por exemplo, me faz entender que eu cheguei lá e isso não tem preço, tem valor".

 

Região

 Nova sinalização altera preferência na rótula de acesso à Dona Francisca

  A ERS-348, no trecho entre Dona Fran­cisca e Faxi­nal do Sotur­no, passou por uma ampla remodelação, com diver­sas melhorias na infraes­trutura da rodovia. Entre as intervenções realizadas estão a ampliação da capa­cidade de drenagem, com a construção de galerias e bueiros, além da limpeza completa do sistema de drenagem, incluindo vale­tas e dispositivos existen­tes. Também foi realizado o recapeamento asfáltico em todo o segmento.

Com as intervenções realizadas na rodovia, uma mudança importante pas­sou a exigir atenção dos motoristas: a sinalização na rótula de acesso ao mu­nicípio de Dona Francisca.

Anteriormente, os ve­ículos que trafegavam no sentido Agudo/Faxinal do Soturno tinham preferên­cia no local. Com a nova sinalização implantada, os condutores que seguem nesse sentido agora preci­sam realizar a parada obri­gatória, conforme indica­do pela placa de “Pare”. A alteração também vale para quem trafega no sen­tido contrário, de Faxinal do Soturno em direção a Agudo, onde a parada também passou a ser obri­gatória.

A mudança tem gera­do dúvidas entre motoris­tas que utilizam o trecho diariamente. A reporta­gem do Jornal Cidades do Vale entrou em contato com o Departamento Au­tônomo de Estradas de Rodagem (Daer), que in­formou que a nova sina­lização foi implantada de acordo com as normas vi­gentes de trânsito.

São João do Polêsine

O olhar de quem acompanhou cada passo da trajetória de Jaque Milanesi

O Jornal Cidades do Vale inicia, nesta edição, uma série denominada “As mães dos prefeitos”. A proposta é apresentar um lado pouco visto dos gestores municipais da região

Por trás de cada prefeito ou prefeita existe uma história que começou muito antes da política. Existe uma família, uma infância repleta de sonhos, desafios e aprendizados. E existe alguém que acompanhou tudo isso de perto: a mãe.

Na série especial “Mães de Prefeitos”, o Jornal Cidades do Vale apresenta um lado pouco visto dos gestores municipais da região. Através do olhar materno, a proposta é revelar como eles eram na infância, quais eram seus sonhos, como surgiu o interesse pela vida pública e as emoções vividas durante as campanhas e eleições.

Nesta primeira edição, a trajetória da prefeita de São João do Polêsine, Jaque Milanesi, é contada pelas lembranças da mãe, Dilesia Schmidt, 70 anos, moradora de Pinhalzinho (SC). A conversa aconteceu por chamada de vídeo. Jaque é mãe de três filhos: José, 20 anos, Maria Clara, 18, e João Arthur, 14.

 

Ela já nasceu com espírito de liderança

Ao lembrar da infância da filha, Dilesia se emociona e detalha como a personalidade de Jaque já se destacava desde cedo. “Ela era uma criança muito esperta, muito observadora. Não era daquelas que ficam só quietinhas no canto. Ela participava de tudo, queria entender tudo, queria organizar tudo. E desde pequena já tinha esse jeito de liderança”, relata.

Segundo ela, esse comportamento aparecia tanto na escola quanto nas brincadeiras. “Na escola, as professoras sempre diziam que ela era muito aplicada, muito dedicada. As notas eram sempre muito boas. Não tinha dificuldade, sabe? Era uma menina que aprendia com facilidade e tinha muita vontade de fazer as coisas direito.”

Dilesia lembra ainda que Jaque naturalmente assumia papéis de liderança entre os colegas. “Se tinha trabalho em grupo, ela já estava à frente. Se tinha alguma atividade na igreja, ela também se envolvia e acabava liderando. Ela não precisava que ninguém mandasse, ela já organizava as coisas.”

Entre risos, a mãe recorda uma das histórias mais marcantes da infância. “Teve uma festa junina na escola que ela simplesmente pegou o meu vestido de casamento e o terno do pai dela. Era nossa lembrança de casamento. Ela disse que precisava de figurino para a apresentação. E levou mesmo! Depois a gente descobriu que era ela que tinha organizado tudo lá. Ela sempre foi assim, de criar, de inventar, de liderar.”

 

A saída de casa e o coração de mãe

A mudança de Jaque para estudar fora foi um dos momentos mais difíceis para a família. “Ah, isso para mãe é muito forte. É como ver o passarinho saindo do ninho. Ela sempre foi muito presente aqui em casa, então a gente sentiu muito. Eu senti bastante mesmo”, conta Dilesia.

Mas, segundo ela, havia também o entendimento de que esse era o caminho da filha. “A gente sabe que filho tem que crescer, tem que ir atrás da vida. Então a gente sofre, mas deixa ir. Não tem outro jeito.”

A própria Jaque reconhece o papel decisivo da mãe naquele momento. “Eu saí de casa muito nova, com 16 anos, para estudar. E havia receio da família, principalmente do meu pai. Mas a minha mãe foi quem disse: ‘vai, confia nela, ela vai dar conta’. Isso me marcou muito, porque ela sempre acreditou em mim”, relata a prefeita.

 

A surpresa com a decisão política

Quando Jaque anunciou que seria candidata, Dilesia confessa que a notícia veio acompanhada de surpresa e preocupação. “Eu lembro que parei, sentei e pensei: ‘meu Deus, será mesmo?’. Eu perguntei para ela se tinha certeza, porque política não é fácil. A gente sabe que tem muita cobrança, muita crítica, e às vezes pouco reconhecimento do que é feito de bom.”

O receio, segundo ela, não era pela capacidade da filha, mas pela exposição. “Eu sabia que ela ia dar conta, porque ela é muito capaz. O meu medo era mais da forma como as pessoas lidam com a política. Às vezes fazem uma coisa muito boa, mas qualquer detalhe vira uma grande coisa. E o que é bom, muitas vezes, passa despercebido.”

Mesmo assim, o apoio veio rapidamente. “Depois eu disse para ela: se é isso que você quer, vai. Eu vou te apoiar. Porque eu sei quem você é, sei da tua capacidade e sei que tu vai fazer um bom trabalho.”

 

A vitória e a emoção à distância

O dia da eleição ficou marcado pela emoção, mesmo à distância. “Eu queria muito estar ai em Polêsine, abraçar ela naquele momento. Mas não deu. Então eu acompanhei tudo daqui de Pinhalzinho”, lembra Dilesia.

A notícia da vitória chegou por ligações e mensagens. “Ela nem conseguiu me ligar na hora. Foram outras pessoas que ligaram contando. E ali começou uma festa aqui também. Foi uma emoção muito grande. Eu chorei, chorei mesmo. De alegria, de orgulho, de tudo junto.”

 

Orgulho e defesa incondicional

Mesmo distante, Dilesia acompanha a rotina da filha e não esconde o orgulho. “Eu sempre defendo ela. Quando alguém fala alguma coisa, eu digo: vocês não conhecem o trabalho que ela está fazendo. Ela está se dedicando muito, está fazendo um trabalho sério, com responsabilidade.”

Para ela, a trajetória da filha é motivo de orgulho constante. “Ela sempre foi assim. Desde pequena. Muito dedicada, muito correta, muito firme no que faz.”

 

Jaqueline ou Jaque?

Questionada sobre a forma como a região passou a se referir à filha, dona Dilesia ressalta que prefere o nome completo. “Pois então, eu costumo chamar de Jaqueline, porque eu batizei ela como Jaqueline. Sempre digo que esse é o nome dela. Às vezes o pessoal chama de Jaque, para encurtar, mas para mim ela é Jaqueline”, explica a mãe.

Segundo ela, a escolha do nome teve influência de referências que surgiram na época. “O nome veio porque uma senhora nos apresentou esse nome em uma lista. Era um nome que eu achei bonito, de origem estrangeira, e que me chamou atenção. Diziam que era o nome de uma mulher importante lá fora. Então acabamos escolhendo Jaqueline”, relembra.

 

Distância, saudade e afeto

A distância de cerca de 430 quilômetros entre Pinhalzinho (SC) e São João do Polêsine (RS) é um dos maiores desafios da relação. “É longe, né? E a gente sente. Mãe sente. Às vezes passa muito tempo sem ver. Eu acompanho mais pelas redes sociais, pelas notícias. Mas o coração fica apertado.”

Ainda assim, os encontros são marcados por emoção. “Quando a gente consegue se ver, é sempre muito bom. Eu fui no aniversário dela recentemente, fiquei com ela. Mas não é como a gente gostaria, né? A vida vai separando um pouco”, destacou Jaque. 

 

Uma mensagem de mãe

Ao final da conversa, Dilesia deixa uma mensagem carregada de emoção para a filha:. “Filha, eu te desejo tudo de bom. Que tu continue sendo essa pessoa firme, dedicada, que pensa no bem das pessoas. Eu tenho muito orgulho de ti. Muito mesmo. E mesmo de longe, eu estou sempre contigo, torcendo, rezando e acompanhando tudo. “Que esse mandato seja de muito sucesso, de muito trabalho e de muita luz. A mãe sempre vai estar aqui, mesmo longe.”

Em resposta, Jaque fez questão de reconhecer a importância da mãe em sua trajetória. "Ninguém constrói a própria história sozinho. Minha mãe sempre esteve ao meu lado nas decisões mais importantes da minha vida. Quando precisei sair de casa para estudar, foi ela quem acreditou em mim e me incentivou a seguir em frente. Muito do que sou hoje devo aos ensinamentos que recebi dela."

 

Agudo

O poder das suculentas: de terapia pessoal a empreendimento familiar

Vandressa Brum de Pádua e o esposo, Márcio Arno Graebner, cultivam mais de 300 espécies de suculentas

A reportagem do Jornal Cidades do Vale esteve nesta semana no Recanto das Suculentas, propriedade de Vandressa Brum de Pádua e do esposo, Márcio Arno Graebner, localizada na comunidade de Canto Paraná, interior de Agudo. No espaço, o casal cultiva mais de 300 espécies de suculentas.

Vandressa conta que tudo começou em 2024, em um momento delicado de sua vida. “Eu passei por um período difícil, com crises de ansiedade e síndrome do pânico. Pesquisando na internet, vi relatos de pessoas que encontraram no cuidado com as suculentas uma forma de amenizar essas situações. Então comecei. Muitas eu ganhei e depois passei a comprar. Também buscava informações sobre cultivo e, aos poucos, tudo foi se desenvolvendo até chegarmos ao que temos hoje, esse espaço lindo que me faz tão bem”, relatou.

Com dedicação e carinho, Vandressa amplia constantemente o cultivo das plantas. “Eu gosto muito. Compramos as matrizes e depois faço a reprodução. A manutenção é diária. É preciso estar sempre atento, pois às vezes aparecem fungos, há folhas secas para retirar, sempre existe algo para fazer. Esse tempo que passo junto delas é especial para mim. As suculentas são muito importantes na minha vida”, destacou.

O que começou por uma necessidade relacionada à saúde transformou-se em hobby e, atualmente, também contribui para a renda da família. “O intuito no começo não era esse, mas fomos evoluindo e agora estamos comercializando. Tem dado muito certo. Como estamos próximos ao asfalto, as pessoas nos procuram com frequência. Recebemos visitantes de toda a região. Fico feliz porque são pessoas que também gostam de suculentas”, afirmou.

Entre os espaços do Recanto das Suculentas, um dos que mais chama a atenção é a área destinada às espécies de coleção. “Essas são especiais, assim como as outras, mas aqui as pessoas conseguem ver a diversidade de tamanhos e cores. Geralmente é o lugar que mais encanta os visitantes. Também temos as suculentas plantadas em pneus. Vi essa ideia na internet e resolvemos fazer aqui. Ficou muito bonito e muitas pessoas dizem nunca ter visto algo parecido na região”, comentou. Entre as espécies favoritas de Vandressa estão as gibifloras gigantes.

Ao final da reportagem, Vandressa fez questão de presentear o proprietário da Rede Jauru, Roberto Cervo, o Melão, com duas suculentas. “Ana Alice, leva essas duas para o Melão como forma de gratidão pelo espaço que está me dando. Sou muito grata. As suculentas mudaram a minha vida e ver as pessoas valorizando isso me deixa muito feliz”, disse.

Vandressa também destaca que o casal pretende ampliar o espaço nos próximos meses. “Vamos cultivando mais plantas e ajustando aos poucos o lugar para receber melhor as pessoas”, concluiu.

 

Sobre as suculentas

As suculentas formam um grupo de plantas adaptadas a ambientes com pouca disponibilidade de água. Sua principal característica é a capacidade de armazenar água em folhas, caules ou raízes, o que lhes confere resistência e facilita o cultivo. Encontradas em diferentes regiões do mundo, elas apresentam grande diversidade de espécies, com formatos, texturas e cores variadas. Além do valor ornamental, as suculentas conquistaram espaço entre colecionadores e amantes da jardinagem por exigirem poucos cuidados e se adaptarem facilmente a diferentes ambientes, desde jardins e canteiros até vasos utilizados na decoração de residências e empresas. Nos últimos anos, a procura por essas plantas cresceu significativamente, impulsionando a formação de coleções e pequenos empreendimentos voltados à sua produção e comercialização.

 

Faxinal Do Soturno

Gesto de honestidade resulta na devolução de dinheiro perdido

Uma atitude de honestidade registrada nesta semana resultou na devolução de R$ 602,00 encontrados em via pública em Faxinal do Soturno. O valor foi localizado pelo motorista da Secretaria Municipal de Saúde de Restinga Sêca, Everaldo de Castro, que decidiu buscar o proprietário e devolver a quantia.

Ao encontrar o dinheiro, Everaldo procurou a Rádio São Roque para divulgar o caso e ampliar as chances de localizar quem havia perdido o valor. A iniciativa teve resultado. Após a divulgação, o proprietário procurou a emissora, comprovou ser o dono da quantia e recebeu o dinheiro de volta. O homem é conhecido como ‘Loro’ é uma figura bastante conhecida no município. Em entrevista à reportagem, ele não escondeu a emoção ao relembrar o momento em que soube que o valor havia sido encontrado. “Fiquei muito feliz e surpreso quando soube que alguém havia encontrado o dinheiro e se preocupado em devolver. Quero agradecer de coração ao Everaldo pelo gesto de honestidade e pela preocupação em encontrar o dono. Atitudes assim renovam a nossa confiança nas pessoas”, afirmou.

Segundo ele, a quantia faria falta no orçamento. Parte do dinheiro seria utilizada para visitar uma filha que reside em São Gabriel, além de auxiliar em outras despesas.

O gerente da Rede Jauru, Zenóbio Osmari, que recebeu o dinheiro e intermediou a entrega ao proprietário, destacou a importância do gesto e relatou a emoção vivida no momento da devolução. “Recebemos o Everaldo na emissora com a preocupação genuína de encontrar o dono daquele dinheiro. Ele poderia simplesmente ter seguido seu caminho, mas fez questão de procurar a rádio para tentar devolver o valor. Isso demonstra caráter e honestidade”, ressaltou.

Zenóbio também contou que a entrega foi marcada pela emoção. “Quando o Loro recebeu o dinheiro de volta, ficou bastante emocionado. Ele chegou a derramar lágrimas e comentou que já não tinha mais esperança de recuperar aquele valor. Foi um momento que nos marcou e mostrou que atitudes simples ainda fazem a diferença”, relatou.

Para Zenóbio, o episódio serve como exemplo para toda a comunidade. “Não se trata apenas dos R$ 602,00. O que realmente chama a atenção é a atitude. Em um momento em que muitas pessoas reclamam da falta de honestidade, ver alguém preocupado em devolver um dinheiro encontrado na rua mostra que os bons valores continuam presentes na nossa sociedade”, destacou.

 

Faxinal Do Soturno

Sica e Miro: uma escolha para a vida toda 

Celebrar o amor em sua essência. Foi com esse propósito que o Jornal Cidades do Vale buscou uma história especial para marcar o Dia dos Namorados, comemorado em 12 de junho. O casal Silésia, 83 anos e Valdomiro Vendruscolo, o Miro, 85 anos, representa tantas outras histórias construídas com afeto, companheirismo e respeito ao longo dos anos.

Para contar essa trajetória, é preciso voltar a 1967, quando Silésia e Valdomiro se conheceram no Colégio Dom Antônio Reis, em Faxinal do Soturno. Ela tinha 25 anos e atuava como professora. Ele, aos 28, era secretário da instituição e também professor

O romance não começou com amor à primeira vista. Na época, ambos mantinham outros relacionamentos. “Eu passei a conversar com ela, me aconselhava muito, e acho que isso foi despertando algum sentimento. Eu estava em um relacionamento que não ia muito bem, então uma coisa levou à outra. Mas isso aconteceu ao longo do tempo, não foi imediato”, recorda Miro.

Silésia, conhecida carinhosamente como Sica, morava em Santa Maria e costumava retornar para lá nos finais de semana. Com o passar do tempo, porém, as viagens foram se tornando menos frequentes. “Tínhamos um grupo muito bom de amigos. Íamos a bailes pela região, principalmente no interior. O Miro dirigia um jipe do diretor e nos levava. Chegávamos a ir 12 pessoas dentro dele. Em um desses momentos, uma colega me perguntou se eu já tinha percebido que o Miro dançava com todas, menos comigo. Aquilo me fez pensar que havia algo diferente acontecendo, e assim a nossa história foi se construindo”, relembra.

A convivência e a aproximação deram início ao namoro. Bem-humorados, os dois contam que o primeiro beijo aconteceu somente três meses depois do início do relacionamento. “Era tudo diferente naquele tempo. Levamos esse tempo para nos beijar. A gente se abraçava muito, porque o Miro sempre foi muito carinhoso, mas o beijo demorou. Acho até que perdemos tempo”, brinca Sica. “Mas depois recuperamos”, completa Miro, entre risos.

Foram nove meses de namoro e outros nove de noivado até o casamento. Miro lembra com carinho e um pouco de nervosismo da primeira visita aos futuros sogros, em Dom Pedrito. “Fomos de Fusca até lá. Eu estava apreensivo porque era a primeira vez que iria conhecê-los. A mãe da Sica não queria que ela viajasse sozinha comigo, então levamos uma amiga junto. Eu havia reservado hotel, mas, no fim, meu sogro nos convidou para ficar na casa deles. Só que em um quarto bem longe do dela”, conta, sorrindo.

O casamento foi celebrado em Dom Pedrito por cinco padres, todos de Faxinal do Soturno. “Foi um momento muito bonito. Estávamos muito felizes. Meu irmão nos presenteou com uma viagem para Montevidéu e Buenos Aires. Estávamos ansiosos pela lua de mel, afinal, seria a nossa primeira experiência viajando sozinhos”, lembra Sica.

Depois do casamento, o casal construiu sua história em Faxinal do Soturno. Da união nasceram três filhos: Giuliano Alecsandra e Flaviano. “Somos muito felizes. Sempre nos demos muito bem e nossos filhos são motivo de orgulho. Temos uma tradição que preservamos até hoje: aos domingos, todos se reúnem aqui em casa. Fazemos questão de manter esse momento de união. Passamos a semana esperando o domingo chegar”, afirma Miro.

Ao serem questionados sobre o segredo para manter um relacionamento duradouro, Miro é direto ao apontar dois pilares fundamentais. “É preciso respeitar e saber ouvir. Acho que essa é a base de qualquer relação. Nós fomos aprendendo isso ao longo do tempo. Sempre que posso, digo às pessoas que é dessa forma que dá certo.”

Já para Sica, envelhecer juntos é um aprendizado diário, marcado pela cumplicidade. “Enfrentamos nossas limitações com realismo. O tempo está passando, sim, mas precisamos aproveitar cada momento. Acredito que a boa escolha que fizemos no passado nos permite viver esta fase da vida da forma como vivemos hoje: dividindo dificuldades, compartilhando dores e também muitas alegrias.”

Ao final da conversa, Sica resume em poucas palavras o desejo que carrega no coração. 

“Eu peço que o tempo passe mais devagar, para que eu possa aproveitar ainda mais a companhia dele, dos meus filhos, para que possamos viver muitas coisas boas juntos.”

Além dos três filhos, Silésia e Valdomiro são avós de Lorenzo, Laura e Augusto, e bisavós da pequena Melissa. Uma família construída sobre os alicerces do amor, do respeito e da parceria, sentimentos que seguem fortalecidos após décadas de caminhada lado a lado.

 

Região

Vitória, Kelli e Márcia compartilham emoções vividas na Maratona de Porto Alegre

A 41ª Maratona Internacional de Porto Alegre entrou para a história ao reunir cerca de 30 mil corredores e consolidar-se como a maratona mais rápida do Brasil, após a quebra de importantes recordes nas provas masculina e feminina dos 42,195 quilômetros. Entre os atletas que representaram a região da Quarta Colônia no evento, o Jornal Cidades do Vale destaca a participação de Vitória Rodrigues de Oliveira, 29 anos, e Márcia Soares, 34 anos, de Faxinal do Soturno, além da agudense Kelli Cristina Weise Cancian, 34 anos, moradora de Nova Palma.

As três corredoras representam o esforço e a dedicação dos diversos atletas da região que também participaram da competição, levando o nome de seus municípios a um dos principais eventos de corrida de rua do país. Em entrevistas concedidas ao Jornal Cidades do Vale, elas compartilharam suas experiências, desafios e emoções vividos durante a preparação e a participação na maratona. Confira os relatos de cada uma delas.

 

Vitória Rodrigues de Oliveira - Dois anos 

JCV - Como surgiu a corrida na sua vida? E o que motivou você a começar a correr?

Vitória - Sempre estive ativa, mas sentia que faltava algo onde eu pudesse me encontrar e me entregar! Comecei por saúde, e o que me motivou a continuar nisso foi ver meus amigos à minha volta começando também e, assim, criando uma rede de apoio, um grupo, uma família!

 

JCV - Quando começou, imaginava que um dia estaria participando de provas longas?

Vitória - Nunca imaginei que seria possível a realização desse desafio, mas, quando começamos a correr, sentimos que podemos ir muito mais longe do que imaginamos, e assim você acaba se encontrando e querendo mais e mais!

 

JCV - Em algum momento você pensou em desistir?

Vitória - Nunca. Tem, sim, os dias desafiadores, aqueles em que não sentimos vontade, aqueles em que não conseguimos encaixar na rotina, os dias cansativos! Mas, se tu quiser atingir um objetivo de vida, uma meta, enfim, é só tu que pode fazer por você mesma! Então eu ia lá e fazia, e, no final de cada treino, seja ele cansativo ou não, eu dava graças a Deus que fui! E assim continuamos.

 

JCV - O que mudou na sua vida desde que começou a correr?

Vitória - Aprendi a ser mais paciente, respeitar meu corpo, ter uma rotina, uma vida saudável e, sim, a corrida faz tu enxergar a vida com outros olhos. Você acaba exercitando a gentileza com o outro e, principalmente, a conexão com a fé!

 

JCV - Qual conselho daria para quem tem vontade de começar a correr, mas ainda não teve coragem de dar o primeiro passo?

Vitória - Apenas comece, esse é o passo mais importante e desafiador! Não se compare, calce teus tênis e vai! Se não fizer por ti, ninguém vai fazer!

 

JCV - Como foi participar da 41ª Maratona Internacional de Porto Alegre?

Vitória - Esta é a segunda vez que participamos. Ano passado fizemos 21 km e, este ano, os tão sonhados 42,195 km! Uma vivência surreal, uma energia contagiante. Onde todos, na mesma pista, são corredores por igual, uma verdadeira escola!

 

JCV - Como foi a rotina de treinos para chegar preparada a uma competição desse porte?

Vitória - Foram nove meses de preparação, três dias por semana com planilhas e três dias da semana com manutenção. Por muitas vezes, treinos longos, cansativos, abrimos mão de muitas coisas em nossa rotina! Tarefa difícil essa de conciliar um ciclo de maratona com nossa vida social, trabalho e casa! Mas nada impossível. Sabíamos muito bem onde queríamos chegar, então, por mais cansativo que fosse, cada treino era comemorado. Ali superamos cada passo!

 

JCV - Qual foi o momento mais marcante durante o percurso?

Vitória - O momento mais marcante para mim foi o funil, faltando 2 km para finalizar a prova. Sentir as pessoas torcendo por ti, te incentivando e escutando: “Parabéns, Vitória, tu venceu e é maratonista!”. Isso nos enche de orgulho e emoção! O esporte te cura, te tira da depressão, da obesidade, do luto, dos dias confusos, das aflições! Ele te devolve liberdade, te torna capaz, te devolve uma vida saudável, te faz sonhar e mostra que nada é impossível para o tamanho da fé que tu trabalha dentro de ti!

 

JCV - Qual foi o primeiro sentimento ao cruzar a linha de chegada?

Vitória - Gratidão, orgulho e alívio!

 

JCV - Se pudesse voltar ao dia em que começou a correr, o que diria para aquela versão de você mesma?

Vitória - Nada nesta vida é impossível, acredite em ti, Vitória! É só o começo da tua história. Mas, claro, esses 42 km só foram possíveis com o apoio da minha dupla de treino, a Márcia, com quem dividimos muitos sentimentos durante nossos treinos; ao nosso professor, que nos preparou para isso acontecer da melhor forma; e ao nosso CT Start, que nos deu suporte! Além de nossos amigos e familiares.

 

Márcia Soares, 34 anos - Dois anos de corrida

JCV - Como surgiu a corrida na sua vida? E o que motivou você a começar a correr?

Márcia - Surgiu quando decidi mudar meus hábitos. Eu já tentava correr com meu namorado, mas acabava desistindo por não conseguir.

E, um dia, a convite da Vitória, fui tentar correr novamente e, daí em diante, não parei mais. E foi correndo que comecei a amenizar o luto pela morte da minha mãe. Me ajudou e ajuda muito a me distrair, pensar nela sem dor e entender as fases da vida.

 

JCV - Quando começou, imaginava que um dia estaria participando de provas longas?

Márcia - Jamais! Nunca me imaginei correndo, pois tinha muita dificuldade em correr. A primeira vez que corri, fazia apenas alguns metros e parava por não aguentar. Quando fiz meus primeiros 10 km, chorei muito, pois nunca tinha imaginado que conseguiria.

 

JCV - Em algum momento você pensou em desistir?

Márcia - Muitas vezes. Pois é difícil! Vinham as dores, frustrações e comparações, e, com o tempo, amadureci e aprendi muito com isso. Um dia, cheguei de um treino jurando que não iria mais correr, pois foi um dia ruim. Passaram-se dois dias e eu estava correndo novamente. Aí entendi que a corrida já era parte de mim.

 

JCV - O que mudou na sua vida desde que começou a correr?

Márcia - Qualidade de vida. Pois ganhei resistência, força, reconheci meu corpo, aprendi a escutá-lo, emagreci 14 quilos e, automaticamente, veio a mudança de hábitos alimentares. Criei uma rotina mais saudável. Qualidade mental. Amadureci, cresci. É correndo que resolvo minha vida. Tenho ideias, planejo minhas aulas correndo e depois só coloco no papel. Nos dias em que quero me desligar, só coloco uma música e não penso em nada, escuto a natureza e aprendi a observar o que está em volta de mim.

 

JCV - Qual conselho daria para quem tem vontade de começar a correr, mas ainda não teve coragem de dar o primeiro passo?

Márcia - Comece! Não espere o dia perfeito. Não espere o amanhã. Tudo é processo, não se compare, um passo de cada vez. Corrida é persistência.

 

JCV -  Como foi participar da 41ª Maratona Internacional de Porto Alegre, um evento que reuniu mais de 10 mil atletas?

Márcia - Foi emoção! A realização de um sonho desde que comecei a correr. Ano passado, corri meus primeiros 21 km nessa mesma maratona. Um ano depois, eu estava lá de novo, mas para me tornar maratonista. Vi tantas histórias, tanta motivação, todo mundo se apoiando! Foi lindo.

 

JCV - Como foi a rotina de treinos para chegar preparada a uma competição desse porte?

Márcia - Foram nove meses de uma rotina intensa quando decidi me desafiar. Faço assessoria com o professor Leonardo Irion há cerca de um ano e meio. São três treinos semanais, além dos treinos de fortalecimento. Tinha semana em que eu treinava seis dias. Aos poucos, a quilometragem ia aumentando no chamado “longão”. Muitos domingos acordei às 4 da manhã para treinar. Deixei muitas vezes de sair porque tinha treino no outro dia. Para se chegar a um objetivo, é necessário ter a mente alinhada, disciplina, foco e persistência, assim como em tudo na vida.

 

JCV - Qual foi o momento mais marcante durante o percurso?

Márcia - Na saída, parecia que eu estava sonhando. Eu ainda não acreditava que estava ali, uma sensação de felicidade com um pouco de medo. E, no meio do percurso, passou uma senhora, acredito que moradora de Porto Alegre, que estava passeando com o cachorro e disse: “Vocês são guerreiras e fortes... Levem isso para a vida de vocês”. E, na chegada, aquele corredor de pessoas que nunca me viram na vida batendo na minha mão, chamando meu nome e dizendo que eu era maratonista, comemorando comigo, me parabenizando. Não aguentei e passei a linha de chegada em lágrimas.

 

JCV - Qual foi o primeiro sentimento ao cruzar a linha de chegada?

Márcia - Um mix de sentimentos: alívio, felicidade... Essa linha de chegada só me fez confirmar o quanto somos capazes de realizar tudo. Nada é impossível. Tenho certeza de que todo mundo que passou por aquela linha de chegada se tornou uma pessoa melhor.

 

JCV - Se pudesse voltar ao dia em que começou a correr, o que diria para aquela versão de você mesma?

Márcia - Não se compare, curta o processo com leveza, não se cobre! Não é fácil, mas jamais pense em desistir!

 

Kelli Cristina Weise Cancian, 34 anos - Iniciou na corrida em agosto de 2024

JCV - Como surgiu a corrida na sua vida? E o que motivou você a começar a correr? 

Kelli - O interesse em iniciar na corrida surgiu após uma caminhada com minha mãe no interior de Agudo em agosto de 2024.

 

JCV - Quando começou, imaginava que um dia estaria participando de provas longas?

Kelli - Sim, logo que iniciei sempre tinha uma meta e objetivo de quilometragem que eu gostaria de alcançar.

 

JCV - Em algum momento você pensou em desistir? 

Kelli - Não. Nos treinos de corrida já passei por vários altos e baixos relacionado a sentimentos, mas nunca me passou em parar e desistir.

 

JCV -  O que mudou na sua vida desde que começou a correr? 

Kelli - Sou mais disciplinada e mais encorajada perante aos desafios da vida no dia-a-dia. 

 

JCV - Qual conselho daria para quem tem vontade de começar a correr, mas ainda não teve coragem de dar o primeiro passo? 

 

Kelli -Inicie e se desfie. Você não imagina do que és capaz.

 

JCV -  Como foi participar da 41ª Maratona Internacional de Porto Alegre? 

Kelli - Foi um misto de sentimentos. Uma prova espetacular do início ao fim.

 

JCV - Como foi a rotina de treinos para chegar preparada a uma competição desse porte? Kelli -Treino corrida 4x na semana, musculação 3x na semana e exercícios de mobilidade corporal 1x na semana. Além do cuidado com a alimentação.

 

JCV - Qual foi o momento mais marcante durante o percurso? 

Kelli - Os últimos dois quilômetros. Pois o corpo estava já quase sem força, porém a torcida gritava lhe dando essa força para poder finalizar o percurso.

 

JCV - Qual foi o primeiro sentimento ao cruzar a linha de chegada? 

Kelli - Gratidão a Deus, por ter conseguido finalizar a prova.

 

JCV - Se pudesse voltar ao dia em que começou a correr, o que diria para aquela versão de você mesma?

Kelli - Confia, você vai desbravar muita força que nem imagina que tens.

 

São João do Polêsine

A história de uma mãe que descobriu que também precisava ser escolhida

Jussara Bortoluzzi, de 50 anos, compartilha pela primeira vez a história dela e do seu filho

O Jornal Cidades do Vale abre espaço para o amor. Aquele mais puro, carregado durante anos e que, no momento certo, aconteceu. Com o intuito de inspirar e mostrar que a vida, por meio do universo, de Deus ou de qualquer que seja a crença, se desenha exatamente como precisa ser, a secretária da Fazenda de São João do Polêsine, Jussara Bortoluzzi, de 50 anos, compartilha pela primeira vez a história dela e do filho.

Jussara adotou o pequeno e, em muitos momentos da entrevista, deixou até uma dúvida no ar: será que não foi ele quem escolheu e adotou a mãe Jussara?

Ela conta que a decisão pela adoção nasceu de algo que, segundo ela, sempre existiu dentro do coração, o amor pelo cuidado. “Durante toda a minha vida profissional, ouvi muitas vezes as pessoas dizerem: ‘ela é uma mãezona’, ‘ela ajuda todo mundo’. E isso acabou se tornando uma marca da minha trajetória: estar presente, acolher, cuidar, tratar com carinho e oferecer apoio. Era algo muito natural em mim”, relatou.

Jussara conta que esse jeito de ser foi construído pelos valores recebidos da família e pela convivência próxima com os pais, irmãos e sobrinhos. “Eu cresci vendo união familiar, cuidado e presença. Tudo isso moldou em mim um amor muito grande pelo acolhimento e pela dedicação ao outro”, afirmou.

Com uma vida profissional intensa, a maternidade acabou ficando para depois. Vieram as dificuldades para engravidar naturalmente, tratamentos médicos e, junto deles, o desgaste emocional. “Chegou um momento em que algo ficou muito claro dentro de mim: talvez eu não precisasse mais insistir naquele caminho. Talvez eu pudesse transformar todo aquele investimento em amor e cuidado”, disse.

Foi então que surgiu a decisão pela adoção. Jussara procurou a Vara da Infância e Juventude do Fórum de Santa Maria para entender como funcionava o processo de habilitação. “Eu fui até o segundo andar do Fórum para buscar informações sobre os documentos necessários. Recebi a lista, organizei tudo e levei de volta. E ali também tomei uma decisão muito importante: eu faria isso sozinha”, contou.

Ela explica que o processo exige preparo emocional e maturidade. Entre as etapas, um dos momentos mais delicados foi o preenchimento do formulário sobre o perfil da criança. “É impossível passar por aquilo sem ser profundamente tocada. Existem perguntas sobre idade, sexo, cor, se você aceita irmãos, gêmeos, crianças com deficiência ou alguma condição de saúde. Cada resposta carrega sentimentos, reflexões e responsabilidades muito grandes”, destacou.

Depois da entrega dos documentos, vieram entrevistas com psicóloga, assistente social, encontros com o juiz e reuniões com outros pretendentes cadastrados no Sistema Nacional de Adoção. “Muitas pessoas me perguntam sobre o tempo de espera, mas isso está diretamente ligado às características indicadas naquele formulário preenchido no início da habilitação”, explicou.

Após dois anos e meio com a habilitação concedida, Jussara passou pela renovação do processo, realizando novamente entrevistas e avaliações. “Esse é um cuidado muito importante da Vara da Infância e Juventude. Durante esse período, a vida das pessoas pode mudar. Existem casais que engravidam, pessoas que mudam a rotina, a estrutura familiar ou emocional. Então essa renovação não é apenas burocracia, mas uma forma de garantir que aquela criança encontre um lar preparado para recebê-la”, afirmou.

Paralelamente ao processo, ela também participou dos grupos de apoio e incentivo à adoção oferecidos pelo Fórum. “Foram encontros muito importantes, de troca, acolhimento e preparação. Conviver com outros pais adotivos e ouvir profissionais falando sobre adoção ajudou muito a preparar meu coração para aquele momento tão esperado: a ligação dizendo para buscar meu filho”, relembrou.

E então veio a ligação. “Hoje faz um ano e cinco meses da chegada do meu filho. Na minha ficha, eu não tinha preferência por sexo, mas costumo dizer que foi ele quem me escolheu”, disse emocionada. A chegada do menino transformou completamente a vida da família. “Eu não sabia o quanto eu precisava dele, e não ele de mim, como muitas vezes as pessoas imaginam quando falam sobre adoção”, afirmou.

Jussara também faz questão de destacar que a adoção exige adaptação e construção de vínculo, assim como qualquer maternidade. “As pessoas às vezes imaginam que tudo acontece instantaneamente, mas existe um processo de construção do amor. Você recebe uma ligação e naquele momento conhece o seu filho. O amor vai sendo construído todos os dias, no convívio, no cuidado, na presença, na entrega, no cansaço físico e emocional. Tudo igual”, relatou. “Assim se constrói um amor incondicional que eu não consigo descrever, apenas sentir”, completou.

Ela destaca ainda que o apoio da família foi essencial durante a adaptação. “Poder contar com meus pais, irmãos, sobrinhos e os dindos fez toda diferença. Em especial minha mãe e minhas cunhadas, que se tornaram apoio e referência nessa caminhada”, afirmou.

Uma frase dita pela afilhada resume, segundo ela, o sentimento vivido pela família desde a chegada do menino. “Ela disse: ‘Como conseguimos viver até agora sem o nosso príncipe?’. E eu acho que isso resume muito tudo o que ele representa para nós”, contou.

Jussara afirma que nunca teve dúvidas de que o filho seria amado. “O carinho das pessoas do meu trabalho, da comunidade onde vivem meus pais e meus irmãos, e de todos que convivem conosco é algo que me emociona profundamente”, disse.

Ao compartilhar a própria história, ela afirma receber mensagens de pessoas inspiradas pela experiência e deixa um conselho para quem sente o desejo da adoção nascer no coração. “Se existir qualquer vontade, qualquer ‘eu gostaria’, dê o primeiro passo. Vá até o Fórum. Porque o mais importante é começar. O caminho pode até ser longo, mas o amor que espera do outro lado faz tudo valer a pena”, declarou.

E encerra com uma frase simples, mas carregada de sentimento. “Ele é o grande amor da minha vida”.

 

Agudo

Ford F1 1950 é mantida como símbolo de amor e lembranças

 

A Ford também faz parte da história de Agudo. Em diversas ocasiões, o veículo foi utilizado nos desfiles do município, levando soberanas do município e da terceira idade.

Uma relíquia que guarda boas lembranças. Essa pode ser a definição da Ford F1 1950 da moradora de Agudo Jossane Franke Costa. No dia 13 de maio, é celebrado o Dia do Automóvel e, para marcar a data, a reportagem do Jornal Cidades do Vale conheceu mais sobre essa história.

Jossane conta que a Ford foi adquirida em 2004, em Curitiba. “Meu marido, Mário, saiu para caminhar pelas ruas e se deparou com ela em uma mecânica. Foi bater o olho e já perguntar se estava à venda. Depois da negociação, voltamos para casa e, na outra semana, fomos buscá-la”, relembra.

De acordo com Jossane, o veículo precisou passar por uma reforma. “Ela era usada para tuning, então tinha grafitagem, e resolvemos mudar e reformar. Fizemos isso no Paraná mesmo. Ela é dos antigos da classe Hot, ou seja, mantém o formato original, mas possui modificações. As rodas são maiores, o paralama traseiro também, ela é a diesel e a mecânica passou por algumas alterações”.

Jossane explica ainda que sempre acompanhou o marido e que ele fazia questão de incentivá-la a dirigir e entender sobre o veículo. “Muitas vezes as pessoas se perguntam: ‘Mas ela é mulher, como anda? Como entende?’. E foi justamente por isso. Felizmente, nós sempre compartilhamos muito as coisas e, com a Ford, era da mesma maneira. Eu acompanhava, ele me contava o que iria fazer e, assim, aprendi muitas coisas”, destaca.

Mário faleceu há quatro anos e, emocionada, Jossane conta que a missão desde então é seguir com a Ford, mantendo viva a história e as lembranças da família. “Ela é o nosso xodó, como eu digo. Enquanto eu existir, e acredito que meus filhos também, vamos manter ela. Eles cresceram andando nesse carro e o Mário amava isso aqui. Precisamos preservar essa história. Cada vez que saio com ela, lembro dos bons momentos que vivemos. Sempre quisemos ela para usar, não como carro de colecionador. A gente viajava, fomos para vários lugares com ela, como Punta del Este. Também participávamos de encontros de carros em São Marcos, Teutônia, que eram uns dos maiores, e também em outras cidades da região. Queríamos que ela fosse funcional mesmo, um carro para andar, por isso também as adaptações”, relata.

A Ford também faz parte da história de Agudo. Em diversas ocasiões, o veículo foi utilizado nos desfiles do município, levando soberanas do município e da terceira idade. “Eles nos convidaram e nós topamos. Faz muitos anos que fazemos isso. Depois que o Mário faleceu, fiquei meio pensativa, mas depois entendi que ele ficaria feliz, tanto pelo convite que continuou sendo feito pela administração,  quanto por eu seguir colaborando. E é assim que tenho feito”, afirma.

Jossane revela ainda que já recebeu diversas propostas de compra. “Ela chama a atenção, principalmente de quem gosta de carros antigos. Já recebi várias propostas, mas ela não tem preço, jamais vou vender. Além disso, as pessoas pedem para tirar fotos e eu deixo à vontade, porque sei que quem admira fica feliz com isso, em poder ver, perguntar e guardar uma lembrança em fotografia”, comenta.

Jossane e Mário César Costa foram casados por 32 anos e, durante 20 deles, o casal viveu em Agudo.

 

Região

Folclórico, mas sábio - por Zenóbio Osmari

 As ruas de Faxinal não serão mais as mesmas desde a tarde da última terça-feira, quando se espalhou a notícia de que Orides Alves, o folclórico “teche” ou Cantor das Andorinhas, havia sido encontrado sem vida próximo à Ponte do Rio Soturno que liga a Santos Anjos, trajeto que fazia a pé seguidamente, cantando, e normalmente, embalado por alguma “canjibrina”.

Qualquer adulto, jovens e até crianças conheciam o Teche. Ele era uma figura folclórica pelas ruas da cidade, com seu cantar característico, com seus bordões criativos, e com os mais próximos, ele se referia como “o amigo do cantor”. Para as crianças, as “pequetititas”, como se referia a elas, conhecia a maioria e sempre se referia com alguma palavra de carinho.

A sua voz inconfundível dobrava as esquinas. “Lá vem o Teche”, diziam todos, cantando suas músicas preferidas, Cristian e Ralf, Barreirito, ou Querência Amada. Só mudava em época de eleições, quando, conforme a conveniência, e até para ganhar um troco, interpretava os jingles das campanhas. Apesar de ser quase que um homem de rua, tinha o respeito de todos.

Nunca soube de alguém que lhe tenha negado seja um prato de comida, um cobertor, um casaco, ou seja lá o que for para lhe dar um pouco mais de alento. Assim, como nunca soube que tenha desrespeitado alguém ou se apropriado de alguma coisa que não era dele. Até quando necessitava de algo, seja para comer, ou até para um trago, o fazia com toda discrição, pois dizia que não gostava de fazer aquilo.

Quase que diariamente passava em frente à minha casa e sempre interagia. Dias desses, até me disse, acho que sentindo o peso da idade, que precisava parar com a bebida, pois a mesma estava o levando à morte.

Não sei se foi por isso que se foi, mas certamente deve ter colaborado. Sentiremos a falta do Teche, pelas ruas, e também aqui na rádio, onde quase que diariamente vinha pedir uma música. As gurias da secretaria já sabiam que era Camisa Manchada, com Cristian e Ralf ou alguma outra com Barreirito.

Como termômetro do carinho que o povo de Faxinal tinha para com ele, é só olhar para as redes sociais e ver o engajamento que teve a repercussão da sua morte. Não deixou nenhuma marca de desenvolvimento, sempre muito valorizado, mas deixou o exemplo de que, mesmo vivendo miseravelmente, é possível fazer o bem e deixar saudades.

Vá em paz, Orides. Chega lá no céu e cante para os anjos: “As andorinhas voltaram, e eu também voltei…”

Coluna de opinião por: Zenóbio Osmari