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Vitória, Kelli e Márcia compartilham emoções vividas na Maratona de Porto Alegre

A 41ª Maratona Internacional de Porto Alegre entrou para a história ao reunir cerca de 30 mil corredores e consolidar-se como a maratona mais rápida do Brasil, após a quebra de importantes recordes nas provas masculina e feminina dos 42,195 quilômetros. Entre os atletas que representaram a região da Quarta Colônia no evento, o Jornal Cidades do Vale destaca a participação de Vitória Rodrigues de Oliveira, 29 anos, e Márcia Soares, 34 anos, de Faxinal do Soturno, além da agudense Kelli Cristina Weise Cancian, 34 anos, moradora de Nova Palma.

As três corredoras representam o esforço e a dedicação dos diversos atletas da região que também participaram da competição, levando o nome de seus municípios a um dos principais eventos de corrida de rua do país. Em entrevistas concedidas ao Jornal Cidades do Vale, elas compartilharam suas experiências, desafios e emoções vividos durante a preparação e a participação na maratona. Confira os relatos de cada uma delas.

 

Vitória Rodrigues de Oliveira - Dois anos 

JCV - Como surgiu a corrida na sua vida? E o que motivou você a começar a correr?

Vitória - Sempre estive ativa, mas sentia que faltava algo onde eu pudesse me encontrar e me entregar! Comecei por saúde, e o que me motivou a continuar nisso foi ver meus amigos à minha volta começando também e, assim, criando uma rede de apoio, um grupo, uma família!

 

JCV - Quando começou, imaginava que um dia estaria participando de provas longas?

Vitória - Nunca imaginei que seria possível a realização desse desafio, mas, quando começamos a correr, sentimos que podemos ir muito mais longe do que imaginamos, e assim você acaba se encontrando e querendo mais e mais!

 

JCV - Em algum momento você pensou em desistir?

Vitória - Nunca. Tem, sim, os dias desafiadores, aqueles em que não sentimos vontade, aqueles em que não conseguimos encaixar na rotina, os dias cansativos! Mas, se tu quiser atingir um objetivo de vida, uma meta, enfim, é só tu que pode fazer por você mesma! Então eu ia lá e fazia, e, no final de cada treino, seja ele cansativo ou não, eu dava graças a Deus que fui! E assim continuamos.

 

JCV - O que mudou na sua vida desde que começou a correr?

Vitória - Aprendi a ser mais paciente, respeitar meu corpo, ter uma rotina, uma vida saudável e, sim, a corrida faz tu enxergar a vida com outros olhos. Você acaba exercitando a gentileza com o outro e, principalmente, a conexão com a fé!

 

JCV - Qual conselho daria para quem tem vontade de começar a correr, mas ainda não teve coragem de dar o primeiro passo?

Vitória - Apenas comece, esse é o passo mais importante e desafiador! Não se compare, calce teus tênis e vai! Se não fizer por ti, ninguém vai fazer!

 

JCV - Como foi participar da 41ª Maratona Internacional de Porto Alegre?

Vitória - Esta é a segunda vez que participamos. Ano passado fizemos 21 km e, este ano, os tão sonhados 42,195 km! Uma vivência surreal, uma energia contagiante. Onde todos, na mesma pista, são corredores por igual, uma verdadeira escola!

 

JCV - Como foi a rotina de treinos para chegar preparada a uma competição desse porte?

Vitória - Foram nove meses de preparação, três dias por semana com planilhas e três dias da semana com manutenção. Por muitas vezes, treinos longos, cansativos, abrimos mão de muitas coisas em nossa rotina! Tarefa difícil essa de conciliar um ciclo de maratona com nossa vida social, trabalho e casa! Mas nada impossível. Sabíamos muito bem onde queríamos chegar, então, por mais cansativo que fosse, cada treino era comemorado. Ali superamos cada passo!

 

JCV - Qual foi o momento mais marcante durante o percurso?

Vitória - O momento mais marcante para mim foi o funil, faltando 2 km para finalizar a prova. Sentir as pessoas torcendo por ti, te incentivando e escutando: “Parabéns, Vitória, tu venceu e é maratonista!”. Isso nos enche de orgulho e emoção! O esporte te cura, te tira da depressão, da obesidade, do luto, dos dias confusos, das aflições! Ele te devolve liberdade, te torna capaz, te devolve uma vida saudável, te faz sonhar e mostra que nada é impossível para o tamanho da fé que tu trabalha dentro de ti!

 

JCV - Qual foi o primeiro sentimento ao cruzar a linha de chegada?

Vitória - Gratidão, orgulho e alívio!

 

JCV - Se pudesse voltar ao dia em que começou a correr, o que diria para aquela versão de você mesma?

Vitória - Nada nesta vida é impossível, acredite em ti, Vitória! É só o começo da tua história. Mas, claro, esses 42 km só foram possíveis com o apoio da minha dupla de treino, a Márcia, com quem dividimos muitos sentimentos durante nossos treinos; ao nosso professor, que nos preparou para isso acontecer da melhor forma; e ao nosso CT Start, que nos deu suporte! Além de nossos amigos e familiares.

 

Márcia Soares, 34 anos - Dois anos de corrida

JCV - Como surgiu a corrida na sua vida? E o que motivou você a começar a correr?

Márcia - Surgiu quando decidi mudar meus hábitos. Eu já tentava correr com meu namorado, mas acabava desistindo por não conseguir.

E, um dia, a convite da Vitória, fui tentar correr novamente e, daí em diante, não parei mais. E foi correndo que comecei a amenizar o luto pela morte da minha mãe. Me ajudou e ajuda muito a me distrair, pensar nela sem dor e entender as fases da vida.

 

JCV - Quando começou, imaginava que um dia estaria participando de provas longas?

Márcia - Jamais! Nunca me imaginei correndo, pois tinha muita dificuldade em correr. A primeira vez que corri, fazia apenas alguns metros e parava por não aguentar. Quando fiz meus primeiros 10 km, chorei muito, pois nunca tinha imaginado que conseguiria.

 

JCV - Em algum momento você pensou em desistir?

Márcia - Muitas vezes. Pois é difícil! Vinham as dores, frustrações e comparações, e, com o tempo, amadureci e aprendi muito com isso. Um dia, cheguei de um treino jurando que não iria mais correr, pois foi um dia ruim. Passaram-se dois dias e eu estava correndo novamente. Aí entendi que a corrida já era parte de mim.

 

JCV - O que mudou na sua vida desde que começou a correr?

Márcia - Qualidade de vida. Pois ganhei resistência, força, reconheci meu corpo, aprendi a escutá-lo, emagreci 14 quilos e, automaticamente, veio a mudança de hábitos alimentares. Criei uma rotina mais saudável. Qualidade mental. Amadureci, cresci. É correndo que resolvo minha vida. Tenho ideias, planejo minhas aulas correndo e depois só coloco no papel. Nos dias em que quero me desligar, só coloco uma música e não penso em nada, escuto a natureza e aprendi a observar o que está em volta de mim.

 

JCV - Qual conselho daria para quem tem vontade de começar a correr, mas ainda não teve coragem de dar o primeiro passo?

Márcia - Comece! Não espere o dia perfeito. Não espere o amanhã. Tudo é processo, não se compare, um passo de cada vez. Corrida é persistência.

 

JCV -  Como foi participar da 41ª Maratona Internacional de Porto Alegre, um evento que reuniu mais de 10 mil atletas?

Márcia - Foi emoção! A realização de um sonho desde que comecei a correr. Ano passado, corri meus primeiros 21 km nessa mesma maratona. Um ano depois, eu estava lá de novo, mas para me tornar maratonista. Vi tantas histórias, tanta motivação, todo mundo se apoiando! Foi lindo.

 

JCV - Como foi a rotina de treinos para chegar preparada a uma competição desse porte?

Márcia - Foram nove meses de uma rotina intensa quando decidi me desafiar. Faço assessoria com o professor Leonardo Irion há cerca de um ano e meio. São três treinos semanais, além dos treinos de fortalecimento. Tinha semana em que eu treinava seis dias. Aos poucos, a quilometragem ia aumentando no chamado “longão”. Muitos domingos acordei às 4 da manhã para treinar. Deixei muitas vezes de sair porque tinha treino no outro dia. Para se chegar a um objetivo, é necessário ter a mente alinhada, disciplina, foco e persistência, assim como em tudo na vida.

 

JCV - Qual foi o momento mais marcante durante o percurso?

Márcia - Na saída, parecia que eu estava sonhando. Eu ainda não acreditava que estava ali, uma sensação de felicidade com um pouco de medo. E, no meio do percurso, passou uma senhora, acredito que moradora de Porto Alegre, que estava passeando com o cachorro e disse: “Vocês são guerreiras e fortes... Levem isso para a vida de vocês”. E, na chegada, aquele corredor de pessoas que nunca me viram na vida batendo na minha mão, chamando meu nome e dizendo que eu era maratonista, comemorando comigo, me parabenizando. Não aguentei e passei a linha de chegada em lágrimas.

 

JCV - Qual foi o primeiro sentimento ao cruzar a linha de chegada?

Márcia - Um mix de sentimentos: alívio, felicidade... Essa linha de chegada só me fez confirmar o quanto somos capazes de realizar tudo. Nada é impossível. Tenho certeza de que todo mundo que passou por aquela linha de chegada se tornou uma pessoa melhor.

 

JCV - Se pudesse voltar ao dia em que começou a correr, o que diria para aquela versão de você mesma?

Márcia - Não se compare, curta o processo com leveza, não se cobre! Não é fácil, mas jamais pense em desistir!

 

Kelli Cristina Weise Cancian, 34 anos - Iniciou na corrida em agosto de 2024

JCV - Como surgiu a corrida na sua vida? E o que motivou você a começar a correr? 

Kelli - O interesse em iniciar na corrida surgiu após uma caminhada com minha mãe no interior de Agudo em agosto de 2024.

 

JCV - Quando começou, imaginava que um dia estaria participando de provas longas?

Kelli - Sim, logo que iniciei sempre tinha uma meta e objetivo de quilometragem que eu gostaria de alcançar.

 

JCV - Em algum momento você pensou em desistir? 

Kelli - Não. Nos treinos de corrida já passei por vários altos e baixos relacionado a sentimentos, mas nunca me passou em parar e desistir.

 

JCV -  O que mudou na sua vida desde que começou a correr? 

Kelli - Sou mais disciplinada e mais encorajada perante aos desafios da vida no dia-a-dia. 

 

JCV - Qual conselho daria para quem tem vontade de começar a correr, mas ainda não teve coragem de dar o primeiro passo? 

 

Kelli -Inicie e se desfie. Você não imagina do que és capaz.

 

JCV -  Como foi participar da 41ª Maratona Internacional de Porto Alegre? 

Kelli - Foi um misto de sentimentos. Uma prova espetacular do início ao fim.

 

JCV - Como foi a rotina de treinos para chegar preparada a uma competição desse porte? Kelli -Treino corrida 4x na semana, musculação 3x na semana e exercícios de mobilidade corporal 1x na semana. Além do cuidado com a alimentação.

 

JCV - Qual foi o momento mais marcante durante o percurso? 

Kelli - Os últimos dois quilômetros. Pois o corpo estava já quase sem força, porém a torcida gritava lhe dando essa força para poder finalizar o percurso.

 

JCV - Qual foi o primeiro sentimento ao cruzar a linha de chegada? 

Kelli - Gratidão a Deus, por ter conseguido finalizar a prova.

 

JCV - Se pudesse voltar ao dia em que começou a correr, o que diria para aquela versão de você mesma?

Kelli - Confia, você vai desbravar muita força que nem imagina que tens.

 

São João do Polêsine

A história de uma mãe que descobriu que também precisava ser escolhida

Jussara Bortoluzzi, de 50 anos, compartilha pela primeira vez a história dela e do seu filho

O Jornal Cidades do Vale abre espaço para o amor. Aquele mais puro, carregado durante anos e que, no momento certo, aconteceu. Com o intuito de inspirar e mostrar que a vida, por meio do universo, de Deus ou de qualquer que seja a crença, se desenha exatamente como precisa ser, a secretária da Fazenda de São João do Polêsine, Jussara Bortoluzzi, de 50 anos, compartilha pela primeira vez a história dela e do filho.

Jussara adotou o pequeno e, em muitos momentos da entrevista, deixou até uma dúvida no ar: será que não foi ele quem escolheu e adotou a mãe Jussara?

Ela conta que a decisão pela adoção nasceu de algo que, segundo ela, sempre existiu dentro do coração, o amor pelo cuidado. “Durante toda a minha vida profissional, ouvi muitas vezes as pessoas dizerem: ‘ela é uma mãezona’, ‘ela ajuda todo mundo’. E isso acabou se tornando uma marca da minha trajetória: estar presente, acolher, cuidar, tratar com carinho e oferecer apoio. Era algo muito natural em mim”, relatou.

Jussara conta que esse jeito de ser foi construído pelos valores recebidos da família e pela convivência próxima com os pais, irmãos e sobrinhos. “Eu cresci vendo união familiar, cuidado e presença. Tudo isso moldou em mim um amor muito grande pelo acolhimento e pela dedicação ao outro”, afirmou.

Com uma vida profissional intensa, a maternidade acabou ficando para depois. Vieram as dificuldades para engravidar naturalmente, tratamentos médicos e, junto deles, o desgaste emocional. “Chegou um momento em que algo ficou muito claro dentro de mim: talvez eu não precisasse mais insistir naquele caminho. Talvez eu pudesse transformar todo aquele investimento em amor e cuidado”, disse.

Foi então que surgiu a decisão pela adoção. Jussara procurou a Vara da Infância e Juventude do Fórum de Santa Maria para entender como funcionava o processo de habilitação. “Eu fui até o segundo andar do Fórum para buscar informações sobre os documentos necessários. Recebi a lista, organizei tudo e levei de volta. E ali também tomei uma decisão muito importante: eu faria isso sozinha”, contou.

Ela explica que o processo exige preparo emocional e maturidade. Entre as etapas, um dos momentos mais delicados foi o preenchimento do formulário sobre o perfil da criança. “É impossível passar por aquilo sem ser profundamente tocada. Existem perguntas sobre idade, sexo, cor, se você aceita irmãos, gêmeos, crianças com deficiência ou alguma condição de saúde. Cada resposta carrega sentimentos, reflexões e responsabilidades muito grandes”, destacou.

Depois da entrega dos documentos, vieram entrevistas com psicóloga, assistente social, encontros com o juiz e reuniões com outros pretendentes cadastrados no Sistema Nacional de Adoção. “Muitas pessoas me perguntam sobre o tempo de espera, mas isso está diretamente ligado às características indicadas naquele formulário preenchido no início da habilitação”, explicou.

Após dois anos e meio com a habilitação concedida, Jussara passou pela renovação do processo, realizando novamente entrevistas e avaliações. “Esse é um cuidado muito importante da Vara da Infância e Juventude. Durante esse período, a vida das pessoas pode mudar. Existem casais que engravidam, pessoas que mudam a rotina, a estrutura familiar ou emocional. Então essa renovação não é apenas burocracia, mas uma forma de garantir que aquela criança encontre um lar preparado para recebê-la”, afirmou.

Paralelamente ao processo, ela também participou dos grupos de apoio e incentivo à adoção oferecidos pelo Fórum. “Foram encontros muito importantes, de troca, acolhimento e preparação. Conviver com outros pais adotivos e ouvir profissionais falando sobre adoção ajudou muito a preparar meu coração para aquele momento tão esperado: a ligação dizendo para buscar meu filho”, relembrou.

E então veio a ligação. “Hoje faz um ano e cinco meses da chegada do meu filho. Na minha ficha, eu não tinha preferência por sexo, mas costumo dizer que foi ele quem me escolheu”, disse emocionada. A chegada do menino transformou completamente a vida da família. “Eu não sabia o quanto eu precisava dele, e não ele de mim, como muitas vezes as pessoas imaginam quando falam sobre adoção”, afirmou.

Jussara também faz questão de destacar que a adoção exige adaptação e construção de vínculo, assim como qualquer maternidade. “As pessoas às vezes imaginam que tudo acontece instantaneamente, mas existe um processo de construção do amor. Você recebe uma ligação e naquele momento conhece o seu filho. O amor vai sendo construído todos os dias, no convívio, no cuidado, na presença, na entrega, no cansaço físico e emocional. Tudo igual”, relatou. “Assim se constrói um amor incondicional que eu não consigo descrever, apenas sentir”, completou.

Ela destaca ainda que o apoio da família foi essencial durante a adaptação. “Poder contar com meus pais, irmãos, sobrinhos e os dindos fez toda diferença. Em especial minha mãe e minhas cunhadas, que se tornaram apoio e referência nessa caminhada”, afirmou.

Uma frase dita pela afilhada resume, segundo ela, o sentimento vivido pela família desde a chegada do menino. “Ela disse: ‘Como conseguimos viver até agora sem o nosso príncipe?’. E eu acho que isso resume muito tudo o que ele representa para nós”, contou.

Jussara afirma que nunca teve dúvidas de que o filho seria amado. “O carinho das pessoas do meu trabalho, da comunidade onde vivem meus pais e meus irmãos, e de todos que convivem conosco é algo que me emociona profundamente”, disse.

Ao compartilhar a própria história, ela afirma receber mensagens de pessoas inspiradas pela experiência e deixa um conselho para quem sente o desejo da adoção nascer no coração. “Se existir qualquer vontade, qualquer ‘eu gostaria’, dê o primeiro passo. Vá até o Fórum. Porque o mais importante é começar. O caminho pode até ser longo, mas o amor que espera do outro lado faz tudo valer a pena”, declarou.

E encerra com uma frase simples, mas carregada de sentimento. “Ele é o grande amor da minha vida”.

 

Agudo

Ford F1 1950 é mantida como símbolo de amor e lembranças

 

A Ford também faz parte da história de Agudo. Em diversas ocasiões, o veículo foi utilizado nos desfiles do município, levando soberanas do município e da terceira idade.

Uma relíquia que guarda boas lembranças. Essa pode ser a definição da Ford F1 1950 da moradora de Agudo Jossane Franke Costa. No dia 13 de maio, é celebrado o Dia do Automóvel e, para marcar a data, a reportagem do Jornal Cidades do Vale conheceu mais sobre essa história.

Jossane conta que a Ford foi adquirida em 2004, em Curitiba. “Meu marido, Mário, saiu para caminhar pelas ruas e se deparou com ela em uma mecânica. Foi bater o olho e já perguntar se estava à venda. Depois da negociação, voltamos para casa e, na outra semana, fomos buscá-la”, relembra.

De acordo com Jossane, o veículo precisou passar por uma reforma. “Ela era usada para tuning, então tinha grafitagem, e resolvemos mudar e reformar. Fizemos isso no Paraná mesmo. Ela é dos antigos da classe Hot, ou seja, mantém o formato original, mas possui modificações. As rodas são maiores, o paralama traseiro também, ela é a diesel e a mecânica passou por algumas alterações”.

Jossane explica ainda que sempre acompanhou o marido e que ele fazia questão de incentivá-la a dirigir e entender sobre o veículo. “Muitas vezes as pessoas se perguntam: ‘Mas ela é mulher, como anda? Como entende?’. E foi justamente por isso. Felizmente, nós sempre compartilhamos muito as coisas e, com a Ford, era da mesma maneira. Eu acompanhava, ele me contava o que iria fazer e, assim, aprendi muitas coisas”, destaca.

Mário faleceu há quatro anos e, emocionada, Jossane conta que a missão desde então é seguir com a Ford, mantendo viva a história e as lembranças da família. “Ela é o nosso xodó, como eu digo. Enquanto eu existir, e acredito que meus filhos também, vamos manter ela. Eles cresceram andando nesse carro e o Mário amava isso aqui. Precisamos preservar essa história. Cada vez que saio com ela, lembro dos bons momentos que vivemos. Sempre quisemos ela para usar, não como carro de colecionador. A gente viajava, fomos para vários lugares com ela, como Punta del Este. Também participávamos de encontros de carros em São Marcos, Teutônia, que eram uns dos maiores, e também em outras cidades da região. Queríamos que ela fosse funcional mesmo, um carro para andar, por isso também as adaptações”, relata.

A Ford também faz parte da história de Agudo. Em diversas ocasiões, o veículo foi utilizado nos desfiles do município, levando soberanas do município e da terceira idade. “Eles nos convidaram e nós topamos. Faz muitos anos que fazemos isso. Depois que o Mário faleceu, fiquei meio pensativa, mas depois entendi que ele ficaria feliz, tanto pelo convite que continuou sendo feito pela administração,  quanto por eu seguir colaborando. E é assim que tenho feito”, afirma.

Jossane revela ainda que já recebeu diversas propostas de compra. “Ela chama a atenção, principalmente de quem gosta de carros antigos. Já recebi várias propostas, mas ela não tem preço, jamais vou vender. Além disso, as pessoas pedem para tirar fotos e eu deixo à vontade, porque sei que quem admira fica feliz com isso, em poder ver, perguntar e guardar uma lembrança em fotografia”, comenta.

Jossane e Mário César Costa foram casados por 32 anos e, durante 20 deles, o casal viveu em Agudo.

 

Região

Folclórico, mas sábio - por Zenóbio Osmari

 As ruas de Faxinal não serão mais as mesmas desde a tarde da última terça-feira, quando se espalhou a notícia de que Orides Alves, o folclórico “teche” ou Cantor das Andorinhas, havia sido encontrado sem vida próximo à Ponte do Rio Soturno que liga a Santos Anjos, trajeto que fazia a pé seguidamente, cantando, e normalmente, embalado por alguma “canjibrina”.

Qualquer adulto, jovens e até crianças conheciam o Teche. Ele era uma figura folclórica pelas ruas da cidade, com seu cantar característico, com seus bordões criativos, e com os mais próximos, ele se referia como “o amigo do cantor”. Para as crianças, as “pequetititas”, como se referia a elas, conhecia a maioria e sempre se referia com alguma palavra de carinho.

A sua voz inconfundível dobrava as esquinas. “Lá vem o Teche”, diziam todos, cantando suas músicas preferidas, Cristian e Ralf, Barreirito, ou Querência Amada. Só mudava em época de eleições, quando, conforme a conveniência, e até para ganhar um troco, interpretava os jingles das campanhas. Apesar de ser quase que um homem de rua, tinha o respeito de todos.

Nunca soube de alguém que lhe tenha negado seja um prato de comida, um cobertor, um casaco, ou seja lá o que for para lhe dar um pouco mais de alento. Assim, como nunca soube que tenha desrespeitado alguém ou se apropriado de alguma coisa que não era dele. Até quando necessitava de algo, seja para comer, ou até para um trago, o fazia com toda discrição, pois dizia que não gostava de fazer aquilo.

Quase que diariamente passava em frente à minha casa e sempre interagia. Dias desses, até me disse, acho que sentindo o peso da idade, que precisava parar com a bebida, pois a mesma estava o levando à morte.

Não sei se foi por isso que se foi, mas certamente deve ter colaborado. Sentiremos a falta do Teche, pelas ruas, e também aqui na rádio, onde quase que diariamente vinha pedir uma música. As gurias da secretaria já sabiam que era Camisa Manchada, com Cristian e Ralf ou alguma outra com Barreirito.

Como termômetro do carinho que o povo de Faxinal tinha para com ele, é só olhar para as redes sociais e ver o engajamento que teve a repercussão da sua morte. Não deixou nenhuma marca de desenvolvimento, sempre muito valorizado, mas deixou o exemplo de que, mesmo vivendo miseravelmente, é possível fazer o bem e deixar saudades.

Vá em paz, Orides. Chega lá no céu e cante para os anjos: “As andorinhas voltaram, e eu também voltei…”

Coluna de opinião por: Zenóbio Osmari

Dona Francisca

A coleção de piranhas de cabelo e a história de Maridreia

O Jornal Cidades do Vale contou, nesta semana, a história de Maridreia Garlet, de 47 anos. Infelizmente, na manhã desta segunda-feira (30), recebemos a notícia de seu falecimento. Em nome da redação do Jornal Cidades do Vale, expressamos nossos sentimentos aos familiares e amigos. Como forma de homenagem, convidamos os leitores a conferirem a matéria especial realizada com ela. Maridreia colecionava cerca de duas mil piranhas de cabelo.

Maridreia foi diagnosticada, aos nove meses de idade, com epilepsia, uma condição neurológica

O Jornal Cidades do Vale desta semana foi até a localidade de Linha Grande, em Dona Francisca, para conhecer a história de Maridreia Garlet, 47 anos. A reportagem foi recebida pela mãe, Jandira de Pellegrin, que de imediato apresentou a filha e também sua coleção de piranhas de cabelo.

Maridreia foi diagnosticada, aos nove meses de idade, com epilepsia, uma condição neurológica caracterizada por crises recorrentes provocadas por descargas elétricas anormais no cérebro. As manifestações variam e podem incluir convulsões, perda de consciência, movimentos involuntários e alterações sensoriais ou comportamentais.

A mãe conta que a filha coleciona piranhas há cerca de 10 anos. “Depois que o pai faleceu, ela começou com isso, e a coleção foi aumentando. No começo eu comprava algumas, depois as pessoas passaram a dar para ela, e até hoje é assim. Quem conhece já sabe e traz, e ela fica muito feliz com cada uma que ganha.”

Segundo Jandira, na parede do quarto já há mais de duas mil peças. “Ela vem para o quarto, começa a trocar de lugar, organizar, e sabe de cada uma: quem deu e de onde veio. Às vezes, vê uma fora do lugar e já diz que fui eu que mexi. A felicidade dela é ficar lidando com isso.”

A morte do irmão, há quatro anos, intensificou ainda mais o apego aos objetos. “Quando o irmão morreu, ela passou a gostar ainda mais. Agora ela está mais debilitada, mas vem aqui e fica horas em função disso. Não sei explicar o que ela sente, mas a gente vê que ela fica bem.”

Além da parede, improvisada com fios para acomodar a coleção, Maridreia também usa as piranhas no cabelo. “Ela coloca várias. Às vezes venho ver e ela está com a cabeça cheia de piranhas, todas coloridas.”

Emocionada, a mãe destaca as dificuldades. “Não é fácil. Os últimos dias têm sido mais complicados, ela esteve na UTI, então a gente fica atento à saúde dela, mas é um desafio. Ela é tudo que eu tenho, é a minha vida.”

A reportagem também fez questão de presentear Maridreia com uma piranha para a coleção.

Agudo

Com carinho e dedicação, Nathana Petzold transforma amor pelos animais em trabalho

O Dia Nacional dos Animais, celebrado em 14 de março no Brasil, é uma data dedicada à conscientização sobre a proteção, os direitos e os cuidados essenciais com os animais domésticos e também com a fauna silvestre. O momento também reforça a importância de combater o abandono e os maus-tratos, além de incentivar a adoção responsável.

Para marcar a data, a reportagem do Jornal Cidades do Vale foi conhecer a história da empresária Nathana Petzold, 30 anos, que trabalha diariamente com cães e gatos e transformou o amor pelos animais em profissão. Com um trabalho delicado e cheio de carinho, ela cuida de pets que, cada vez mais, conquistam espaço dentro das famílias.

A paixão pelos animais começou ainda na infância. “Eu sempre fui apaixonada por animais, principalmente cachorros, desde criança. Meu primeiro contato com o pet shop foi no meu antigo emprego, onde havia esse serviço. Não era o meu setor, mas, devido à grande procura e ao movimento, comecei a ajudar nos banhos e fui criando interesse em aprender mais sobre a profissão”, relembra.

Em 2023, uma mudança na vida pessoal acabou abrindo caminho para o empreendedorismo. Devido a problemas de saúde da mãe, Nathana precisou reorganizar sua rotina para ficar mais próxima da família. “Eu não estava conseguindo trabalhar fora, mas precisava continuar trabalhando. Então surgiu a ideia de abrir um pet shop em casa, conciliando as duas necessidades”, conta.

Mesmo com poucos recursos, ela decidiu seguir em frente. “Eu não tinha muitas condições financeiras para iniciar o negócio. Juntei tudo o que tinha e recebi um pouco de ajuda dos meus pais também. Assim consegui comprar o básico para começar os atendimentos no CasaPet,”, explica.

Os primeiros passos foram cercados de insegurança, mas também de muita determinação. “Comecei com medo e muitas dúvidas, porque empreender é muito desafiador. Criei um Instagram para divulgar o trabalho e ofereci dois banhos gratuitos para uma cliente antiga, para iniciar as postagens e mostrar o serviço”, relata.

A divulgação nas redes sociais e o tradicional “boca a boca” foram fundamentais para o crescimento do negócio. Aos poucos, novos clientes começaram a surgir. “Um foi indicando para o outro, as pessoas foram vendo as postagens, e assim o movimento foi aumentando”, lembra.

Hoje, após mais de dois anos de trabalho, Nathana celebra as conquistas e a confiança dos clientes. “Tenho clientes que estão comigo desde o início e sou muito grata por cada um. Sempre procuro entregar um trabalho com qualidade, responsabilidade e muito amor pelos meus clientes de quatro patas e pelos seus tutores”, destaca.

Para ela, quem convive com animais entende o valor que eles têm na vida das pessoas. “Só quem tem sabe o quanto eles são importantes. São seres de luz nas nossas vidas, que nos trazem lealdade e amor. São nossos filhos de quatro patas e merecem todo carinho e também um banho bem cheiroso”, finaliza.

 

Cuide dos animais

Os maus-tratos contra animais são considerados crime no Brasil e estão previstos na Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998). A legislação estabelece punições para quem praticar atos de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais, sejam eles domésticos, domesticados, silvestres, nativos ou exóticos.

A pena geral prevista é de detenção de três meses a um ano, além de multa. No entanto, desde 2020, a legislação foi endurecida para casos envolvendo cães e gatos. Nesses casos, a pena passou a ser de reclusão de dois a cinco anos, multa e proibição da guarda do animal.

Se os maus-tratos resultarem na morte do animal, a pena pode ser aumentada de um sexto a um terço. As denúncias podem ser feitas às autoridades policiais, às secretarias de meio ambiente ou por meio de canais específicos de proteção animal.

 

Faxinal Do Soturno

Novo prédio do Hospital de Caridade São Roque começa a ganhar forma

O novo prédio terá 5 mil metros de área construída de ampliação, contará com sete andares e heliponto. O Hospital de Caridade São Roque é referência para 69 municípios e realiza 98,44% de seus atendimentos por meio do SUS

As obras do novo prédio do complexo hospitalar do Hospital de Caridade São Roque começam a ganhar forma. Após cerca de cinco meses dedicados ao trabalho de fundação, a construção entra agora em uma etapa mais visível, permitindo que a comunidade perceba a dimensão do projeto.

Durante o período inicial da obra, foram necessárias algumas alterações no projeto em função das características do terreno e da necessidade de criação de uma área de subsolo. Com os ajustes realizados, a estrutura começou a avançar e os pilares já estão sendo erguidos. Ao todo, serão oito linhas de pilares sustentando o novo prédio, que terá quase cinco mil metros quadrados de área construída.

O presidente do hospital, Roberto Cervo, o Melão, destacou a satisfação em ver o projeto sair do papel e se tornar realidade. “A gente fica muito feliz de ver os nossos projetos tomando forma. A obra atrasou um pouco em função da necessidade de alterar o projeto pelo formato do terreno e pela necessidade de adequação, mas agora, de forma visível, ela está se criando. Teremos um novo espaço que vai seguir a nossa linha de trabalho, que é melhorar o atendimento”, afirmou.

Com a nova estrutura, o hospital deverá praticamente dobrar sua área física. Atualmente, a instituição conta com cerca de cinco mil metros quadrados, e com a conclusão do novo prédio o complexo hospitalar passará a ter aproximadamente 10 mil metros quadrados.

O administrador do hospital, Flávio Stona, ressalta que a ampliação permitirá qualificar ainda mais os serviços oferecidos à população. “A gente tem hoje uma estrutura de cinco mil metros e, com esse novo prédio, passaremos a ter cerca de 10 mil metros quadrados. Isso vai melhorar e qualificar ainda mais o nosso atendimento à população. Vamos reorganizar e separar melhor as nossas áreas, ampliar o setor de consultório diagnóstico e também os leitos”, explicou.

O novo prédio terá 5 mil metros de área construída de ampliação, contará com sete andares e heliponto. O Hospital de Caridade São Roque é referência para 69 municípios e realiza 98,44% de seus atendimentos por meio do SUS.

 

Região

Região vive avanço em infraestrutura com quatro obras em andamento

 

Em fase adiantada, as principais obras na região já ganharam forma. A reportagem do Jornal Cidades do Vale percorreu os principais canteiros durante esta semana. São pelo menos quatro frentes de trabalho em andamento. Cabe ressaltar que os locais foram drasticamente afetados pela enchente histórica de 2024. Confira:

 

Ponte sobre o Rio Soturno e via

No município de Faxinal do Soturno, a ponte sobre o Rio Soturno terá 160 metros de extensão, 12 metros de largura e mão dupla. A estrutura será 2,38 metros mais alta que a anterior, com investimento de R$ 14,7 milhões. No local, a empresa responsável trabalha na finalização dos pilares e na colocação das vigas. Os aterros da via já foram feitos.

 

Revitalização da via entre São João do Polêsine e Dona Francisca

A revitalização do trecho de 10 km entre São João do Polêsine e Dona Francisca já é uma realidade; vários pontos já foram restaurados. O investimento será de R$ 33,2 milhões. O projeto também inclui a construção de uma ciclovia entre Polêsine e Faxinal do Soturno, uma reivindicação da administração municipal atendida pelo Daer.

 

Ponte sobre o Arroio Guarda Mor

A nova ponte sobre o Arroio Guarda-Mor, entre Santos Anjos e Sítio dos Mellos, principal ligação com Ivorá, está em fase final de construção. A estrutura terá 120 metros de extensão, 12 metros de largura, pista em mão dupla e será 3,42 metros mais alta que a anterior. O investimento é de R$ 11,8 milhões. Atualmente, os trabalhos se concentram nos detalhes finais e, posteriormente, na conclusão das cabeceiras que darão acesso à nova estrutura.

 

ERS-348 entre Dona Francisca e Agudo

As empresas já atuam no local. De acordo com o Daer, o investimento será de R$ 169 milhões, por meio de recursos do Funrigs. O trecho de 12,53 km passará por requalificação, incluindo reabilitação funcional do pavimento, drenagem, obras de contenção e nova sinalização, garantindo o restabelecimento da trafegabilidade da rodovia. 

Agudo

Pelas lentes de Erni Böck, a história de Agudo não se apaga

O olhar atento de Erni Böck, 79 anos, ajuda a contar boa parte da história de Agudo. Mais do que apenas registrar imagens, ele eternizou, por meio das lentes da câmera, os principais fatos e transformações do município. A reportagem do Jornal Cidades do Vale foi conhecer um pouco mais da trajetória de quem fez da fotografia um compromisso com a memória coletiva.

Servidor público aposentado, Erni teve o primeiro contato com a fotografia ainda muito jovem, com 17 anos. Segundo ele, em uma das viagens do pastor Rudolf Brauer à Alemanha, acabou ficando como caseiro e, no retorno, foi surpreendido com um presente que mudaria sua vida. “Eu fiquei de caseiro para ele e quando ele voltou, me trouxe a câmera. Eu nem sabia como mexer, mas foi ali que tive meu primeiro contato com a fotografia. Tenho ela guardada até hoje”, recorda.

Em 1996, ao se aposentar do serviço público, a fotografia passou a ocupar um espaço ainda maior em seu cotidiano. “Foi nesse período que a fotografia ficou mais séria na minha vida, podemos dizer mais profissional. Registrei momentos importantes, como a construção da barragem. Acompanhei toda a obra, do início ao fim de 1998 a 2001. A partir daí, a fotografia passou a fazer parte da minha vida, inclusive como fonte de renda”, relembra.

Alguns registros permanecem vivos na memória de Erni. Um deles é a queda da ponte sobre o Rio Jacuí, em 2010, durante uma enchente histórica. “Eu estava percorrendo os pontos de alagamento e me deslocava em direção à ponte quando parei no Cerro Chato, um pouco antes, porque vi um menino carregando uma bateria, o instrumento musical no meio da água. Quando voltei para o carro, ouvi na rádio local o desespero do repórter noticiando a queda da ponte. Gelei na hora, primeiro por não entender direito o que tinha acontecido e depois porque, se eu não tivesse parado ali, certamente estaria em cima da ponte fotografando”, contou.

Outro capítulo marcante em sua trajetória são os registros da neve em Agudo, fenômeno raro no município. “Um amigo que morava na Linha dos Pomeranos me avisava sobre a situação do tempo. Quando havia possibilidade de neve, eu ia para lá. Presenciei três vezes: em 1984, que foi a mais intensa, depois em 1994 e, por fim, em 2000. São momentos que me marcaram muito e que estão guardados em imagens”, relata.

Entre os fatos mais recentes, Erni destaca o acompanhamento da pavimentação asfáltica da Avenida Euclides Kliemann. “Fiz todo o registro do trabalho e fiquei muito feliz em receber o reconhecimento da prefeitura no dia da inauguração. Foram muitos momentos importantes ao longo desses anos”, afirma.

O acervo de Erni impressiona: são cerca de 330 mil fotografias e 120 mil vídeos. “Tenho tudo guardado. Antes da fotografia digital, trabalhávamos com filmes, então digitalizei todo esse material. Está tudo no computador, são cerca de cinco terabytes de arquivos”, explica.

Ele também relembra os tempos em que a fotografia exigia ainda mais paciência. As imagens em preto e branco eram reveladas por ele mesmo, em um laboratório montado em casa. Já as coloridas, inicialmente, eram enviadas para revelação na Amazônia, pelos Correios. “Depois passaram a ir para São Paulo, Santa Maria e, por fim, eu levava para o Estúdio Gama, em Faxinal do Soturno. Quando era na Amazônia, levava de duas a três semanas para a foto voltar. A gente fotografava e esperava até 14 dias para ver o resultado, muito diferente de hoje, quando tudo é instantâneo”, comenta.

Ao longo da carreira, Erni também atuou intensamente na cobertura de eventos. “Tinha uma microempresa, contratava pessoas para ajudar e fazíamos eventos praticamente todos os fins de semana: festas de 15 anos, bodas, formaturas. Era possível ter uma boa renda com isso, mas tudo mudou com a chegada do celular”, observa.

Em 2020, durante a pandemia, Erni encerrou oficialmente a atividade profissional na fotografia. “Fechei a empresa, mas sigo fotografando, porque gosto muito. Hoje faço mais por hobby. Fico feliz com tudo o que foi construído, foram muitos momentos eternizados, alguns felizes, outros nem tanto. Uma frase que escutei e levo para a vida resume bem isso: ‘Uma foto eterniza momentos, aqueles que não vão se repetir mais’”, conclui.

 

Faxinal Do Soturno

Paixão que não sai de linha: o Fusca que acompanha parte da vida de Adair Ruviaro

O Fusca do faxinalense é do ano 1976, modelo que completa 50 anos de fabricação

Poucos carros marcaram tanto a história quanto o Fusca. Verdadeiro ícone mundial, o modelo é cercado por histórias, curiosidades e por uma paixão que atravessa gerações.

Nesta reportagem, vamos falar sobre esse clássico atemporal e conhecer um pouco mais da relação do faxinalense Adair Ruviaro, 70 anos, com o seu Fusca.

Adair relembra como foi o primeiro contato com o modelo. “O gosto por Fusca começou quando eu trabalhava na Rádio São Roque, tinha cerca de 20 anos. Eu era vendedor à época e saía com o Azulão da rádio, como a gente o chamava. Ali comecei a gostar, mas era mais um apreço, pois eu trabalhava com ele. Lembro que naquela época, até mesmo fizemos algumas viagens a Porto Alegre, a serviço, o Melão e eu”, conta. Mais tarde, Adair deixou a rádio para concluir a faculdade de Direito, profissão que exerce até hoje.

Ao longo da vida, Adair teve três Fuscas. “Os dois primeiros não eram conservados. Este terceiro, sim. Estou com ele há aproximadamente 18 anos. Hoje, além de um mecânico em Faxinal, tenho em Santa Maria, um especialista em carros antigos, o que me permite manter uma boa manutenção”, explica.

A história com o Fusca amarelo começou após um atendimento profissional. “Uma Senhora do interior de Restinga veio fazer um serviço e sempre chegava de Fusca. Perguntei se ela queria me vender, mas ela disse que não. Com o passar do tempo, soube que ela havia falecido, então entrei em contato com os seus familiares que possibilitaram a aquisição. Eles aceitaram, mas necessitavam regularizar a documentação. Um dia me ligaram dizendo que eu poderia buscá-lo, e desde então estou com ele”, relata.

O carro, segundo Adair, não fica parado. “Eu uso bastante. Vou para o interior, não sou daqueles colecionadores que só guardam. Tem lugares onde o meu outro automóvel não vai, mas o Fusca consegue. Faço a manutenção direitinho, mas a ideia é usar, vou com ele inclusive seguidamente a Santa Maria”, afirma. 

O Fusca também chama a atenção por onde passa. Adair conta que é comum as pessoas pedirem para tirar fotos. “Quem gosta percebe que ele é bem conservado. Sou o seu segundo proprietário e quando comprei, tinha cerca de 40 mil quilômetros rodados e hoje ele mantém mais de 80% das peças originais”. Um fato curioso é que o veículo já foi utilizado em dois casamentos: o sócio Jonas levou a noiva até a cerimônia na igreja das Dores em Santa Maria com o Fusca, e a faxinalense Márcia Dalmolin também escolheu o carro para o seu casamento.

A paixão pelo Fusca também passa de geração em geração. A neta Laura, quando vem a Faxinal, já tem um carro preferido. “Ela sempre pede para andar de Fusca, e a gente vai. É uma alegria para ela e para mim poder proporcionar isso”, comenta.

Questionado sobre uma possível venda, Adair é direto na resposta. “Não vendo. Já me ofereceram valores, mas nem sei como está o mercado, porque não procuro saber. Não vendo”, finaliza. O Fusca de Adair é do ano 1976, modelo que completa 50 anos de fabricação.

 

Saiba mais sobre a história do Fusca:

O Fusca teve sua origem em 1938, na Alemanha, mas sua produção em larga escala foi interrompida pela Segunda Guerra Mundial, sendo retomada em 1945. No Brasil, o modelo chegou em 1950, inicialmente importado, e passou a ser produzido nacionalmente pela Volkswagen em 1959, na fábrica de São Bernardo do Campo (SP). 

Ao longo das décadas, tornou-se o carro mais popular do país, com produção contínua até 1986, quando saiu de linha pela primeira vez. O modelo retornou por um período entre 1993 e 1996, atendendo a um incentivo governamental, e teve sua produção encerrada definitivamente no Brasil em 1996. Mesmo após o fim da fabricação, o Fusca permanece como um dos automóveis mais emblemáticos da história brasileira.