O Fusca do faxinalense é do ano 1976, modelo que completa 50 anos de fabricação
Poucos carros marcaram tanto a história quanto o Fusca. Verdadeiro ícone mundial, o modelo é cercado por histórias, curiosidades e por uma paixão que atravessa gerações.
Nesta reportagem, vamos falar sobre esse clássico atemporal e conhecer um pouco mais da relação do faxinalense Adair Ruviaro, 70 anos, com o seu Fusca.
Adair relembra como foi o primeiro contato com o modelo. “O gosto por Fusca começou quando eu trabalhava na Rádio São Roque, tinha cerca de 20 anos. Eu era vendedor à época e saía com o Azulão da rádio, como a gente o chamava. Ali comecei a gostar, mas era mais um apreço, pois eu trabalhava com ele. Lembro que naquela época, até mesmo fizemos algumas viagens a Porto Alegre, a serviço, o Melão e eu”, conta. Mais tarde, Adair deixou a rádio para concluir a faculdade de Direito, profissão que exerce até hoje.
Ao longo da vida, Adair teve três Fuscas. “Os dois primeiros não eram conservados. Este terceiro, sim. Estou com ele há aproximadamente 18 anos. Hoje, além de um mecânico em Faxinal, tenho em Santa Maria, um especialista em carros antigos, o que me permite manter uma boa manutenção”, explica.
A história com o Fusca amarelo começou após um atendimento profissional. “Uma Senhora do interior de Restinga veio fazer um serviço e sempre chegava de Fusca. Perguntei se ela queria me vender, mas ela disse que não. Com o passar do tempo, soube que ela havia falecido, então entrei em contato com os seus familiares que possibilitaram a aquisição. Eles aceitaram, mas necessitavam regularizar a documentação. Um dia me ligaram dizendo que eu poderia buscá-lo, e desde então estou com ele”, relata.
O carro, segundo Adair, não fica parado. “Eu uso bastante. Vou para o interior, não sou daqueles colecionadores que só guardam. Tem lugares onde o meu outro automóvel não vai, mas o Fusca consegue. Faço a manutenção direitinho, mas a ideia é usar, vou com ele inclusive seguidamente a Santa Maria”, afirma.
O Fusca também chama a atenção por onde passa. Adair conta que é comum as pessoas pedirem para tirar fotos. “Quem gosta percebe que ele é bem conservado. Sou o seu segundo proprietário e quando comprei, tinha cerca de 40 mil quilômetros rodados e hoje ele mantém mais de 80% das peças originais”. Um fato curioso é que o veículo já foi utilizado em dois casamentos: o sócio Jonas levou a noiva até a cerimônia na igreja das Dores em Santa Maria com o Fusca, e a faxinalense Márcia Dalmolin também escolheu o carro para o seu casamento.
A paixão pelo Fusca também passa de geração em geração. A neta Laura, quando vem a Faxinal, já tem um carro preferido. “Ela sempre pede para andar de Fusca, e a gente vai. É uma alegria para ela e para mim poder proporcionar isso”, comenta.
Questionado sobre uma possível venda, Adair é direto na resposta. “Não vendo. Já me ofereceram valores, mas nem sei como está o mercado, porque não procuro saber. Não vendo”, finaliza. O Fusca de Adair é do ano 1976, modelo que completa 50 anos de fabricação.
Saiba mais sobre a história do Fusca:
O Fusca teve sua origem em 1938, na Alemanha, mas sua produção em larga escala foi interrompida pela Segunda Guerra Mundial, sendo retomada em 1945. No Brasil, o modelo chegou em 1950, inicialmente importado, e passou a ser produzido nacionalmente pela Volkswagen em 1959, na fábrica de São Bernardo do Campo (SP).
Ao longo das décadas, tornou-se o carro mais popular do país, com produção contínua até 1986, quando saiu de linha pela primeira vez. O modelo retornou por um período entre 1993 e 1996, atendendo a um incentivo governamental, e teve sua produção encerrada definitivamente no Brasil em 1996. Mesmo após o fim da fabricação, o Fusca permanece como um dos automóveis mais emblemáticos da história brasileira.