Faxinal do Soturno - RS, 97220-000, Brazil

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Últimas Notícias


Dona Francisca

“Terra devastada”, diz produtor de arroz após as enchentes

A maior enchente de todos os tempos ainda trará consequências para a nossa região. Uma das cidades atingidas é Dona Francisca, que possui uma área de lavoura extensa e próxima do Rio Jacuí, e as terras ficaram irreconhecíveis, conforme relato dos produtores.

Moisés Augusto Prochnow, plantador de arroz em Dona Francisca, na localidade de Linha Grande, relata que nunca tinha visto algo parecido. “Para quem conhecia essas lavouras, não reconhece mais. Abriram-se crateras de três a quatro metros de profundidade e uma extensão de 100 a 200 metros. A água levou tudo, é coisa de outro mundo, é terra devastada. Ainda não tive acesso aos demais pontos para ver o tamanho do estrago total”.

De acordo com ele, o trabalho de organização da lavoura será intenso. “Primeiro, esperar que essa água abaixe toda, e aí vamos ter noção de tudo. Mas certamente teremos muito o que fazer para transformar essas terras em lavoura novamente. A gente segue firme, não perde as esperanças, mas não é fácil ver como tudo ficou”, salienta ele.

Mesmo com prejuízos, Moisés se solidariza com as pessoas que perderam casas e vidas. “Sempre digo, mesmo com tudo isso que vi na lavoura, a gente não pode imaginar a dor de quem perdeu familiares e amigos nisso, e aqueles que estão limpando casas, que foram tomadas pelas águas, que perderam tudo. Estamos vivendo um momento muito difícil; de alguma forma, todos fomos afetados. Agora é esperar por dias melhores, mantendo a fé, que isso vai passar e recomeçar.

A realidade de Moisés é a de muitos produtores da região. Muitos ainda tinham grãos para colher na lavoura e perderam tudo. Outros relatam que perderam na armazenagem. Os órgãos competentes ainda não têm dados oficiais sobre as perdas na região.

 

São João do Polêsine

Milagre da capela: A sobrevivência de Rubem e sua esposa durante as forte chuvas

Com o passar dos dias, diversas histórias e relatos surgiram em função das fortes chuvas que atingiram a região e o Estado no final de abril e início de maio. Nesta edição, o Jornal Cidades do Vale traz um pouco dos momentos de tensão vividos pelo Rubem Sérgio Denardin Fuchs, tenente coronel reformado do Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Sul que atuava na sua última função como comandante do 4º Grupamento de incêndio de Santa Maria e sua esposa, Deocilda Brondani Fuchs. Moradores da localidade de Linha da Glória, distrito de Vale Vêneto, em São João do Polêsine, desde 2000, encontraram na capela de Nossa Senhora das Dores o milagre da sobrevivência.

Rubem conta que o volume de chuva, ainda no dia 30 de abril, primeiro dia do pesadelo, já chamava a atenção. “Era muita chuva, não parava, entrou noite adentro com aquele volume de água, isso já nos despertou um alerta de que teríamos alguns problemas, mas nunca passou pela cabeça o tamanho que seriam”, lembrou ele.

A chuva persistiu. No outro dia, Rubem disse que percebeu o barulho e viu árvores, galhos e terras no morro acima da sua residência vindo abaixo. “Percebemos o barulho, e aquilo tudo vinha descendo. Pensei que não conseguiríamos escapar. Minha mulher preparou uma mala com o básico e pegamos uma barraca; íamos nos abrigar longe dali. Naquele momento, sem entender direito o que estava acontecendo, até pensei que sairia com o carro, mas logo vi que a estrada ficou sem passagem, e aí o desespero tomou conta. A chuva não parava, e nossos olhos estavam atentos no morro, para ver o que vinha de cima”, contou ele.

Rubem, emocionado, lembra que a capela de Nossa Senhora das Dores, que fica em sua propriedade e da qual ele cuida, salvou sua vida e a da esposa. “Aquela água que descia com galhos e troncos de árvores parou na capela e desviou da nossa casa. Foi Deus, não tenho como entender diferente. A estrutura da capela, que ficou intacta, mudou o curso do deslizamento e evitou que chegasse à nossa residência. Foi a capela que nos salvou. Além dessa, uma outra que fica na Linha da Glória também não teve danos na estrutura, mas ao redor ficou tudo destruido”, contou ele com lágrimas nos olhos.

De acordo com ele, ao redor dos vizinhos a situação também era apavorante. “Perdeu-se tudo. Olhava para os lados e via aqueles morros destruindo tudo. Na propriedade do Moacir, no café Recanto do Vale, tudo foi levado. Muito triste ver a destruição que isso tudo causou”, relatou Rubem.

Bombeiro aposentado, Rubem disse que já havia visto muitas coisas na vida e se arriscado por várias vezes, mas nunca imaginou viver o que passou nesses dias. “Eu estava acostumado a presenciar diversas situações na minha profissão, foram 30 anos atuando, mas igual a isso que vivi, nunca. Não dormimos à noite, com uma lanterna apontada para o morro para ver se vinha mais terra. Foram três dias sem comer e dormir, vivendo aquele pesadelo. Não sabíamos o que ia acontecer. Não conseguimos sair sozinhos dali, ficamos isolados, sem luz, internet e sinal de celular”.

O pesadelo acabou quando eles foram resgatados por amigos e parentes. “Agradeço muito ao Augusto Pivetta e ao meu cunhado Mauro Brondani, que vieram de caminhão e nos resgataram. Ficamos na casa do Mauro por 15 dias. Sou muito grato à família dele que nos acolheu. Minha sogra, Gema Noal Brondani, e mais quatro pessoas também foram socorridas. Ela é acamada, mora na localidade São Valentim, em Vale Vêneto. Colocamos ela na cadeira de rodas, amarramos na plataforma do trator e a tiramos, senão ela teria morrido”, lembrou ele.

Agora Rubem salienta que o trabalho é de recomeço. “Perdemos algumas coisas na propriedade, mas agora é recomeçar, agradecer pela vida e esperar dias melhores. E valorizar a vida sempre, agradecendo a Deus, à nossa santa que nos protegeu, e rezar por todos que estão passando por dificuldades também”, concluiu ele.

 

São João do Polêsine

Ackermann: Uma vida dedicada à música e ao trabalho

Lúcido, bem-humorado e receptivo. Assim foi a forma como Fridolino Ackermann recebeu a reportagem do Jornal Cidades do Vale em sua casa, na Linha da Lagoa, em São João do Polêsine. Ackermann, como prefere ser chamado, tem 88 anos e possui uma trajetória de vida inspiradora na música e na dedicação ao trabalho. Natural de Taquara, da localidade que antigamente era conhecida como José Velho, atualmente São Francisco de Paula, ele relembra fatos importantes de sua história.

Apaixonado por música desde pequeno, Ackermann aprendeu a tocar diversos instrumentos e, curiosamente, também aprendeu a consertá-los. “Comecei a tocar trompete com três ou quatro anos, e aos 10 anos ganhei o primeiro violino. Meu pai me ensinou a tocar. Sempre ouvi muito jazz, mas gostava de todos os estilos. Todas as músicas são boas se bem tocadas”, lembrou ele.

O conserto de instrumentos como gaitas, pianos, saxofones, entre outros tantos, ele diz que aprendeu sozinho ou quase. “Tem alguém lá em cima, no céu, que me ajuda, mas aqui na terra aprendi sozinho, olhando, mexendo, tentando, até conseguir. Já fiz muitos restauros nessa vida, tem mais de 60 anos que faço isso”, contou Ackermann.

Com o tempo, as atenções de Ackermann passaram para a fabricação de instrumentos. “Em 1989, fiz o primeiro violino, criação minha, não foi cópia. Depois desses, fiz outros também, inclusive alguns deles presenteei às minhas netas. Os instrumentos eram de madeiras boas, bem feitas e que duravam muito tempo sem manutenção”.

O trabalho com música era algo à parte, uma renda extra. “Sempre trabalhei paralelamente a isso, não vivia do conserto nem da fabricação, mas era um dinheiro que ajudava muito. Até os 23 anos trabalhei na roça, e um tempo como carpinteiro em Crissiumal, ajudei a construir casas lá. Depois trabalhei como técnico na SLC, na ferramentaria das colheitadeiras, em Horizontina, onde me aposentei. Fiz muita coisa nessa vida”, recordou Ackermann.

Aposentado, Ackermann disse que não pretende deixar a música. “Sigo com meu trabalho, estou fazendo um saxofone de madeira, e assim vou indo, me mantendo ocupado, e fazendo o que tanto gosto. Moro com minha filha, porque precisava de cuidados e aí me trouxeram para Polêsine”, contou ele.

Ackermann tem um espaço na casa onde costuma frequentar, onde está um saxofone, que ele cuida tanto, e alguns outros instrumentos. “Tocava em bailes há cerca de 30 anos, aos sábados e domingos, então ainda toco aqui em casa, com menos frequência. Às vezes falta fôlego, embocadura, mas mesmo assim venho a este espaço. Além disso, também escuto músicas e assim têm sido os dias, mantendo-me ativo e útil”, ressaltou.

 

Agudo

Impacto das chuvas no comércio regional: Desafios e perspectivas

Com as fortes chuvas, diversos setores foram afetados, incluindo o comércio, que enfrenta problemas como a falta de produtos. A reportagem do Jornal Cidades do Vale entrevistou Airton Wilhelm, presidente da Associação Comercial e Industrial de Serviço de Agudo (Acisa) e vice-presidente da Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul), Airton Wilhelm, para entender os reflexos no meio empresarial.

JCV - Quais devem ser os principais reflexos para o comércio em função da enchente?

Airton - O principal reflexo certamente será o medo que o consumidor vai ter de comprar, não sabendo o que vai acontecer no futuro, se haverá alguma ajuda, o que vai acontecer. E também a dificuldade que nós, os empresários, estamos tendo para conseguir produtos de nossos fornecedores. Porto Alegre ainda está debaixo d'água, o que dificulta nossas entregas. Muitas vezes, vamos atrasar um pouco, então esses certamente serão alguns dos reflexos que vamos enfrentar devido às cheias.

JCV - O quanto os estragos nos acessos de vias poderão impactar na economia regional?

Airton - Em alguns lugares, os acessos já foram restabelecidos graças a parcerias com a comunidade, Daer, Sassyr e o próprio Dnit. Estamos recuperando os acessos. Os reflexos serão semelhantes aos que impactam a economia estadual. Precisamos auxiliar os governos, e nós, empresários, devemos procurar ajudar na solução para restabelecer todas as vias na nossa região.

JCV - Qual deve ser a postura do empresário com sua empresa a partir de agora?

Airton - A postura que o empresário deve ter hoje é cuidar bem dos seus colaboradores, ver as necessidades, acalmar, tentar buscar algumas oportunidades que a lei e a constituição permitem neste momento. Também buscar aprendizado com o Sebrae e outros órgãos competentes que estão auxiliando com cursos gratuitos. Procurar as associações comerciais é importante; essa é uma postura que um empresário pode ter.

JCV - Como vender em um momento como este?

Airton - Neste momento, devemos servir nossos clientes fiéis. Primeiramente, atender esses clientes que nos deram estrutura para chegar até aqui. E vender com ética, sem aumentar os preços ou se aproveitar da oportunidade, porque amanhã o nosso cliente vai saber.

JCV - Como tem sido a contribuição do governo com o empresariado?

Airton - O governo ainda não contribuiu muito, porque o estado do Rio Grande do Sul está dividido em cinco partes: uma debaixo d'água, uma quase debaixo d'água, uma em recuperação, uma não atingida e outra constituída por fake news. Precisamos esperar que tudo isso se resolva. Não podemos ter ansiedade, pois as contribuições virão, mas eles precisam entender o prejuízo dos empresários. Muitos na grande Porto Alegre ainda não sabem o que realmente perderam. As ajudas do governo vão demorar; não adianta querer acelerar. Talvez venham antes para as pessoas físicas. Estamos em constante reunião com o governo do estado e federal, mas é um processo demorado.

JVC - Uma mensagem para os empresários da região

Airton - A mensagem que deixo para os empresários é que este é o momento de estarmos unidos, em associações comerciais e onde mais pudermos. Juntos já é difícil, imagine sozinho. Temos que nos unir, ajudar os que precisam, nossos colegas empresários, e buscar tranquilidade. Já passamos por uma pandemia, por várias dificuldades em nossas vidas, então este é um momento de grande tranquilidade, sem ansiedade. Estamos sempre à disposição, tanto a Associação Comercial quanto à Federasul. Tivemos batalhas como o ICMS e decretos, tudo resolvido, e acredito que também vamos superar esta situação. Muita fé e união.

 

Faxinal Do Soturno

Mercados locais enfrentam aumento de preços e mudança de fornecedores

Desde o início das enchentes que atingiram a região de Faxinal do Soturno, os mercados locais têm enfrentado grandes desafios, afetando diretamente o abastecimento e os preços dos produtos. Em entrevista a reportagem ao Jornal Cidades do Vale, o gerente do mercado da Camnpal de Faxinal, Dariano Tomasi, revelou os obstáculos enfrentados após o desastre natural, destacando o aumento nos preços e a necessidade de troca de alguns fornecedores. “A área de hortifrúti foi a mais afetada, com a batata inglesa registrando o maior aumento. Produtos como alface e couve tiveram um acréscimo de quase 50% e enfrentam dificuldades de abastecimento”, explicou o gerente.

De acordo com Dariano além dos produtos frescos, haverá um aumento geral de 10 a 12% nos preços de outros itens, afetando tanto os consumidores quanto o mercado, que precisará ajustar suas estratégias de compras e vendas para lidar com as consequências desse aumento. “A dificuldade da chegada até Faxinal dos fornecedores antigos por conta das estradas interditadas, forçou o mercado a trocar fornecedores, especialmente para carnes e pães. Os itens de primeira necessidade, como arroz, feijão, água mineral e produtos de limpeza, tiveram um aumento significativo na procura”, observou Tomasi.

Em nota, a Associação Gaúcha de Supermercados (Agas) afirma que muitos fatores impactam o preço das frutas, legumes e verduras, e o momento climático absolutamente atípico pressionou ainda mais alguns produtos. “As elevadas perdas com as chuvas e enchentes reduzem a oferta e o preço aumenta, além de prejudicar a qualidade dos produtos. É um momento de pouca oferta e muita demanda, desequilibrando o mercado”, afirma a entidade. A Agas também explica que a operação temporária da Ceasa ajudou a normalizar os preços e principalmente a reorganizar o abastecimento, por isso a tendência é de estabilidade a partir de agora”, disse o comunicado.

 

Produtos da Ceasa

Com a enchente, o Centro de Abastecimento do Rio Grande do Sul (Ceasa-RS) precisou transferir sua operação da Zona Norte de Porto Alegre para Gravataí. As águas invadiram o complexo na Capital e chegaram a 2,70 metros no entorno. Pelo menos uma tonelada de proteínas também ficaram debaixo d‘água. Nos balanços de preços divulgados pela Ceasa já é possível verificar os aumentos.

Região

Narrativa das chuvas: Uma semana de angústia

Confira um resumo do que foram os dias de chuva na Região Central. No total, em Faxinal do Soturno foram 735 milímetros, em seis dias.

273 milímetros - 30 de abril, segunda-feira - A comunidade regional inicia mais uma semana normalmente. Na Rádio São Roque, iniciou às 6h da manhã a programação do Bom Dia Região, logo após o Região é Notícias, programa de jornalismo. Naquele dia, todos os institutos de meteorologia apontaram chuva, um volume considerado ‘normal’. No meio da manhã, o tempo fecha e a partir daí começam os dias de apreensão. A chuva torrencial inicia, e os primeiros relatos eram de cheias nas ruas, nas áreas urbanas das cidades. O sinal de telefonia também já era precário. Os bueiros não davam conta e a água invadia calçadas. O sinal de internet, por volta das 16h, cai em Faxinal em algumas cidades. A chuva não cessava, se manteve durante todo o dia e a noite, totalizando já os surpreendentes 273 milímetros.

224 milímetros - 1º de maio, terça-feira - O amanhecer de terça-feira já era alarmante. A noite toda de chuva forte, sem cessar, já apresentava alguns estragos, pontes menores e mais antigas já haviam sido levadas com a água. Em Faxinal do Soturno e algumas cidades da região, permanecia sem sinal de internet. A programação do Bom Dia Região, da Rádio São Roque, já era diferente. Relatos de todos os lugares, sobre o grande volume de chuva começaram a chegar. Na cobertura externa, o repórter Tairã Gonçalves, participa da programação ao vivo, por volta das 7h20 e ao relatar a situação do Soturno, entre Faxinal e o distrito de Santos Anjos, ao vivo, ele informa a queda da cabeceira da ponte. E a partir desse momento o noticiário todo era com base nas informações de todos locais, e os relatos só aumentavam, famílias ilhadas sendo retiradas e levadas para abrigos, em todas as cidades da Quarta Colônia a realidade era semelhante.

174 milímetros - 02 de maio, quarta-feira - O terceiro dia de chuva torrencial, incessante, multiplicava os estragos. Municípios isolados, famílias no meio rural dos municípios estavam ilhadas e incomunicáveis, e a busca por informações era pulsante. Familiares pedindo e implorando pelo resgate. Que no momento só podia ser feito de forma aérea, pois municípios estavam isolados, não tinha acesso por terra, para Santa Maria, por exemplo, para isso, helicópteros da Base Aérea de Santa Maria começaram a se deslocar aos municípios. Seja para resgate, quanto para o transporte de pacientes de hospitais para Santa Maria ou mesmo resgates.

23 milímetros - 03 de maio, quinta-feira - A chuva acalma, o pico de arroios chegava ao máximo e partir desse dia começava a diminuir. Em contrapartida, as atenções se voltaram para os municípios de Agudo e Dona Francisca, em função do Rio Jacuí, e da barragem de Dona Francisca, localizada nos limites dos municípios de Agudo e Nova Palma. Moradores das regiões baixas, e arredores da Usina, tiveram as casas invadidas pelas águas, como nunca visto antes.

10 milímetros - 04 de maio, sexta-feira - A partir de quarta-feira, foi possível ver os estragos com mais clareza. Famílias ilhadas, conseguem receber ajudas de voluntários, tanto de barco, quanto de motocicleta, que percorriam estradas irreconhecíveis dos interiores dos municípios. Cidades ainda estão incomunicáveis, sem internet, sem sinal de celular, água e luz.

31 milímetros - 05 de maio, sábado - Os trabalhos de resgate se intensificam, famílias até então isoladas conseguem se comunicar com familiares. A chuva persiste, mas de forma menos intensa. Moradores iniciam limpeza das casas e contabilizam os estragos.

0 milímetros - 06 de maio, domingo - Dia ensolarado e de esperança para a população.

 

Faxinal Do Soturno

Colheitadeira resgatada antes de cair no rio

 

O agricultor Isaias Catto, que tem propriedade na localidade conhecida como esquina do Santos Anjos, interior de Faxinal do Soturno, conseguiu recuperar a colheitadeira antes que ela caísse no rio Soturno. Ele contou à reportagem da Rádio São Roque, que havia deixado a máquina antes das chuvas, na segunda-feira (29/04), e com o grande volume de água e as cheias do rio, a colheitadeira foi arrastada para o rio. “Eu deixei ela na lavoura, não pensei que choveria desse jeito, e aí a força da água arrastou ela, sorte que na margem do rio tinha uma laje, e a frente dela ficou trancada, e assim ela não foi inteira para dentro do rio”, contou ele. O resgate da máquina foi feito na sexta-feira (03).

 

Agudo

Gestantes em situação de vulnerabilidade social receberão kits de enxoval

A chegada de um bebê é um momento de grande expectativa e alegria na vida de uma família. No entanto, para gestantes em situação de vulnerabilidade social, essa fase pode ser desafiadora. Pensando nisso, o Município de Agudo aderiu ao programa estadual "Mãe Gaúcha", uma iniciativa que visa proporcionar apoio e assistência às futuras mães mais necessitadas.

 

O projeto tem como principal objetivo fortalecer o vínculo entre mãe e bebê, além de oferecer condições adequadas para o cuidado dos recém-nascidos. O prefeito Luís Henrique Kittel expressou sua satisfação com a iniciativa. "Aderimos ao programa Mãe Gaúcha, pois temos compromisso em cuidar das gestantes e proporcionar um começo de vida mais digno para seus bebês", destacou o gestor. 

 

Destinado a gestantes a partir da 28ª semana de gestação, o programa prioriza aquelas que estão inscritas no Cadastro Único, são beneficiárias do Bolsa Família ou aguardam a aprovação do benefício, e que mantêm o acompanhamento pré-natal em dia. Cada kit oferecido pelo programa inclui uma variedade de itens essenciais para garantir o conforto e o bem-estar tanto da mãe quanto do bebê. Desde cobertores e toalhas de banho com capuz até macacões, bodies e meias, os kits proporcionam tudo o que é necessário para os primeiros cuidados com o recém-nascido. Além disso, cada gestante contemplada receberá uma bolsa maternidade, tornando-se uma aliada prática para os desafios do dia a dia.

 

Na quinta-feira, 25 de abril, a Secretaria de Desenvolvimento Social e Habitação recebeu 40 kits, os quais serão em breve distribuídos para as gestantes de Agudo, vinculadas aos programas Criança Feliz e Primeira Infância Melhor. A responsável pela pasta, Raquel Melo, destacou a importância da adesão ao programa. "A iniciativa reforça o compromisso do município em garantir o cuidado e o apoio necessário para as gestantes, oferecendo itens essenciais, e também afeto e assistência durante esse período tão importante", disse a secretária.

 

Com a adesão ao programa "Mãe Gaúcha", Agudo reafirma seu compromisso com o bem-estar e a qualidade de vida de seus cidadãos, especialmente daqueles que mais precisam de apoio em momentos tão especiais como a gestação e o nascimento de um filho.

 

Região

Inscrições do Vestibular de Inverno 2024 da UFN estão abertas

As inscrições para o Vestibular de Inverno da Universidade Franciscana (UFN) já estão abertas. São 30 cursos de graduação com vagas disponíveis para ingresso no 2º semestre de 2024. As provas são presenciais e ocorrem em 17 de junho. As inscrições são online e podem ser feitas no site da UFN até o dia 03 de junho. A taxa de inscrição para Medicina é R$260,00 e para os demais cursos é R$60,00.

A prova para Medicina terá 50 questões de múltipla escolha e redação, com início às 13h30min e duração de 4h. Os outros cursos de graduação terão prova de redação, com início às 13h30min e duração de 2h. O gabarito preliminar de Medicina será divulgado no mesmo dia da prova, às 18h30. Já o definitivo será divulgado dia 19 de junho, até às 18h. O resultado dos classificados em todos os cursos será disponibilizado para consulta presencial em 25 de junho –15h no Hall do prédio 15, do Conjunto III e 16h publicada no site da UFN.

 

Os aprovados em primeira chamada deverão realizar matrícula de forma digital entre os dias 27 e 28 de junho. Já os candidatos suplentes poderão ser convocados para a chamada oral no dia 4 de julho. Mais informações estão disponíveis na página do Vestibular da UFN (https://oportunidades.ufn.edu.br/vestibular-de-inverno-2024). Também é possível tirar dúvidas pelos telefones: (55) 3220-1200; (55) 3220-1250; e (55)3220-1230, ou pelos emails: [email protected] e [email protected].

Dona Francisca

83 anos depois a história se repete

Morador de Dona Francisca João Pedro Azevedo viveu as duas enchentes

Após 83 anos, o Rio Grande do Sul voltou a registrar uma grande enchente. Em 1941, a capital gaúcha enfrentou um alagamento histórico, que deixou cerca de 70 mil pessoas desabrigadas. Na ocasião, o nível do Guaíba, cuja cota de inundação é de 3 metros, chegou a uma altura entre 4,75 e 4,76 metros, segundo registros da época. Desta vez, o nível do Guaíba passou de 5,3 metros e, na quarta-feira (8), atingiu 5,07 metros.

Morador de  Dona Francisca desde 1957, o senhor João Pedro Azevedo, 93 anos, tinha 10 anos quando a enchente ocorreu, ele morava na localidade de Boa Vista, em Paraíso do Sul nessa época. Em entrevista à Rádio São Roque, ele relatou que eram dias com chuva sem parar. “A água bateu no sobrado mais alto de Dona Francisca, ficou só na parte de cima de fora. Foram 12 dias e de 12 noites de chuva, lembro que  muitos animais morreram, não deu tempo das pessoas tirarem. As pessoas eram resgatadas de barco, muitas pessoas se ajudavam. 

Para colaborar com a história, a arquiteta Elenara Stein Leitão compartilhou uma carta de 1941 escrita por sua mãe, Helena Silva Stein, durante a tragédia. No relato, a então jovem de 16 anos conta detalhes da enchente histórica: "Os trens pararam e o telégrafo interrompeu. Estávamos simplesmente isolados do interior. Cinemas, colégios, Faculdade de Medicina e Direito ficaram cheios de flagelados e o governo sustentando todo o pessoal." A cidade esteve vários dias às escuras, sem água, sem leite, sem jornal, foi mesmo de assustar! Trecho da carta escrita por Helena Silva Stein publicada pelo jornal O Globo