A 41ª Maratona Internacional de Porto Alegre entrou para a história ao reunir cerca de 30 mil corredores e consolidar-se como a maratona mais rápida do Brasil, após a quebra de importantes recordes nas provas masculina e feminina dos 42,195 quilômetros. Entre os atletas que representaram a região da Quarta Colônia no evento, o Jornal Cidades do Vale destaca a participação de Vitória Rodrigues de Oliveira, 29 anos, e Márcia Soares, 34 anos, de Faxinal do Soturno, além da agudense Kelli Cristina Weise Cancian, 34 anos, moradora de Nova Palma.
As três corredoras representam o esforço e a dedicação dos diversos atletas da região que também participaram da competição, levando o nome de seus municípios a um dos principais eventos de corrida de rua do país. Em entrevistas concedidas ao Jornal Cidades do Vale, elas compartilharam suas experiências, desafios e emoções vividos durante a preparação e a participação na maratona. Confira os relatos de cada uma delas.
Vitória Rodrigues de Oliveira - Dois anos
JCV - Como surgiu a corrida na sua vida? E o que motivou você a começar a correr?
Vitória - Sempre estive ativa, mas sentia que faltava algo onde eu pudesse me encontrar e me entregar! Comecei por saúde, e o que me motivou a continuar nisso foi ver meus amigos à minha volta começando também e, assim, criando uma rede de apoio, um grupo, uma família!
JCV - Quando começou, imaginava que um dia estaria participando de provas longas?
Vitória - Nunca imaginei que seria possível a realização desse desafio, mas, quando começamos a correr, sentimos que podemos ir muito mais longe do que imaginamos, e assim você acaba se encontrando e querendo mais e mais!
JCV - Em algum momento você pensou em desistir?
Vitória - Nunca. Tem, sim, os dias desafiadores, aqueles em que não sentimos vontade, aqueles em que não conseguimos encaixar na rotina, os dias cansativos! Mas, se tu quiser atingir um objetivo de vida, uma meta, enfim, é só tu que pode fazer por você mesma! Então eu ia lá e fazia, e, no final de cada treino, seja ele cansativo ou não, eu dava graças a Deus que fui! E assim continuamos.
JCV - O que mudou na sua vida desde que começou a correr?
Vitória - Aprendi a ser mais paciente, respeitar meu corpo, ter uma rotina, uma vida saudável e, sim, a corrida faz tu enxergar a vida com outros olhos. Você acaba exercitando a gentileza com o outro e, principalmente, a conexão com a fé!
JCV - Qual conselho daria para quem tem vontade de começar a correr, mas ainda não teve coragem de dar o primeiro passo?
Vitória - Apenas comece, esse é o passo mais importante e desafiador! Não se compare, calce teus tênis e vai! Se não fizer por ti, ninguém vai fazer!
JCV - Como foi participar da 41ª Maratona Internacional de Porto Alegre?
Vitória - Esta é a segunda vez que participamos. Ano passado fizemos 21 km e, este ano, os tão sonhados 42,195 km! Uma vivência surreal, uma energia contagiante. Onde todos, na mesma pista, são corredores por igual, uma verdadeira escola!
JCV - Como foi a rotina de treinos para chegar preparada a uma competição desse porte?
Vitória - Foram nove meses de preparação, três dias por semana com planilhas e três dias da semana com manutenção. Por muitas vezes, treinos longos, cansativos, abrimos mão de muitas coisas em nossa rotina! Tarefa difícil essa de conciliar um ciclo de maratona com nossa vida social, trabalho e casa! Mas nada impossível. Sabíamos muito bem onde queríamos chegar, então, por mais cansativo que fosse, cada treino era comemorado. Ali superamos cada passo!
JCV - Qual foi o momento mais marcante durante o percurso?
Vitória - O momento mais marcante para mim foi o funil, faltando 2 km para finalizar a prova. Sentir as pessoas torcendo por ti, te incentivando e escutando: “Parabéns, Vitória, tu venceu e é maratonista!”. Isso nos enche de orgulho e emoção! O esporte te cura, te tira da depressão, da obesidade, do luto, dos dias confusos, das aflições! Ele te devolve liberdade, te torna capaz, te devolve uma vida saudável, te faz sonhar e mostra que nada é impossível para o tamanho da fé que tu trabalha dentro de ti!
JCV - Qual foi o primeiro sentimento ao cruzar a linha de chegada?
Vitória - Gratidão, orgulho e alívio!
JCV - Se pudesse voltar ao dia em que começou a correr, o que diria para aquela versão de você mesma?
Vitória - Nada nesta vida é impossível, acredite em ti, Vitória! É só o começo da tua história. Mas, claro, esses 42 km só foram possíveis com o apoio da minha dupla de treino, a Márcia, com quem dividimos muitos sentimentos durante nossos treinos; ao nosso professor, que nos preparou para isso acontecer da melhor forma; e ao nosso CT Start, que nos deu suporte! Além de nossos amigos e familiares.
Márcia Soares, 34 anos - Dois anos de corrida
JCV - Como surgiu a corrida na sua vida? E o que motivou você a começar a correr?
Márcia - Surgiu quando decidi mudar meus hábitos. Eu já tentava correr com meu namorado, mas acabava desistindo por não conseguir.
E, um dia, a convite da Vitória, fui tentar correr novamente e, daí em diante, não parei mais. E foi correndo que comecei a amenizar o luto pela morte da minha mãe. Me ajudou e ajuda muito a me distrair, pensar nela sem dor e entender as fases da vida.
JCV - Quando começou, imaginava que um dia estaria participando de provas longas?
Márcia - Jamais! Nunca me imaginei correndo, pois tinha muita dificuldade em correr. A primeira vez que corri, fazia apenas alguns metros e parava por não aguentar. Quando fiz meus primeiros 10 km, chorei muito, pois nunca tinha imaginado que conseguiria.
JCV - Em algum momento você pensou em desistir?
Márcia - Muitas vezes. Pois é difícil! Vinham as dores, frustrações e comparações, e, com o tempo, amadureci e aprendi muito com isso. Um dia, cheguei de um treino jurando que não iria mais correr, pois foi um dia ruim. Passaram-se dois dias e eu estava correndo novamente. Aí entendi que a corrida já era parte de mim.
JCV - O que mudou na sua vida desde que começou a correr?
Márcia - Qualidade de vida. Pois ganhei resistência, força, reconheci meu corpo, aprendi a escutá-lo, emagreci 14 quilos e, automaticamente, veio a mudança de hábitos alimentares. Criei uma rotina mais saudável. Qualidade mental. Amadureci, cresci. É correndo que resolvo minha vida. Tenho ideias, planejo minhas aulas correndo e depois só coloco no papel. Nos dias em que quero me desligar, só coloco uma música e não penso em nada, escuto a natureza e aprendi a observar o que está em volta de mim.
JCV - Qual conselho daria para quem tem vontade de começar a correr, mas ainda não teve coragem de dar o primeiro passo?
Márcia - Comece! Não espere o dia perfeito. Não espere o amanhã. Tudo é processo, não se compare, um passo de cada vez. Corrida é persistência.
JCV - Como foi participar da 41ª Maratona Internacional de Porto Alegre, um evento que reuniu mais de 10 mil atletas?
Márcia - Foi emoção! A realização de um sonho desde que comecei a correr. Ano passado, corri meus primeiros 21 km nessa mesma maratona. Um ano depois, eu estava lá de novo, mas para me tornar maratonista. Vi tantas histórias, tanta motivação, todo mundo se apoiando! Foi lindo.
JCV - Como foi a rotina de treinos para chegar preparada a uma competição desse porte?
Márcia - Foram nove meses de uma rotina intensa quando decidi me desafiar. Faço assessoria com o professor Leonardo Irion há cerca de um ano e meio. São três treinos semanais, além dos treinos de fortalecimento. Tinha semana em que eu treinava seis dias. Aos poucos, a quilometragem ia aumentando no chamado “longão”. Muitos domingos acordei às 4 da manhã para treinar. Deixei muitas vezes de sair porque tinha treino no outro dia. Para se chegar a um objetivo, é necessário ter a mente alinhada, disciplina, foco e persistência, assim como em tudo na vida.
JCV - Qual foi o momento mais marcante durante o percurso?
Márcia - Na saída, parecia que eu estava sonhando. Eu ainda não acreditava que estava ali, uma sensação de felicidade com um pouco de medo. E, no meio do percurso, passou uma senhora, acredito que moradora de Porto Alegre, que estava passeando com o cachorro e disse: “Vocês são guerreiras e fortes... Levem isso para a vida de vocês”. E, na chegada, aquele corredor de pessoas que nunca me viram na vida batendo na minha mão, chamando meu nome e dizendo que eu era maratonista, comemorando comigo, me parabenizando. Não aguentei e passei a linha de chegada em lágrimas.
JCV - Qual foi o primeiro sentimento ao cruzar a linha de chegada?
Márcia - Um mix de sentimentos: alívio, felicidade... Essa linha de chegada só me fez confirmar o quanto somos capazes de realizar tudo. Nada é impossível. Tenho certeza de que todo mundo que passou por aquela linha de chegada se tornou uma pessoa melhor.
JCV - Se pudesse voltar ao dia em que começou a correr, o que diria para aquela versão de você mesma?
Márcia - Não se compare, curta o processo com leveza, não se cobre! Não é fácil, mas jamais pense em desistir!
Kelli Cristina Weise Cancian, 34 anos - Iniciou na corrida em agosto de 2024
JCV - Como surgiu a corrida na sua vida? E o que motivou você a começar a correr?
Kelli - O interesse em iniciar na corrida surgiu após uma caminhada com minha mãe no interior de Agudo em agosto de 2024.
JCV - Quando começou, imaginava que um dia estaria participando de provas longas?
Kelli - Sim, logo que iniciei sempre tinha uma meta e objetivo de quilometragem que eu gostaria de alcançar.
JCV - Em algum momento você pensou em desistir?
Kelli - Não. Nos treinos de corrida já passei por vários altos e baixos relacionado a sentimentos, mas nunca me passou em parar e desistir.
JCV - O que mudou na sua vida desde que começou a correr?
Kelli - Sou mais disciplinada e mais encorajada perante aos desafios da vida no dia-a-dia.
JCV - Qual conselho daria para quem tem vontade de começar a correr, mas ainda não teve coragem de dar o primeiro passo?
Kelli -Inicie e se desfie. Você não imagina do que és capaz.
JCV - Como foi participar da 41ª Maratona Internacional de Porto Alegre?
Kelli - Foi um misto de sentimentos. Uma prova espetacular do início ao fim.
JCV - Como foi a rotina de treinos para chegar preparada a uma competição desse porte? Kelli -Treino corrida 4x na semana, musculação 3x na semana e exercícios de mobilidade corporal 1x na semana. Além do cuidado com a alimentação.
JCV - Qual foi o momento mais marcante durante o percurso?
Kelli - Os últimos dois quilômetros. Pois o corpo estava já quase sem força, porém a torcida gritava lhe dando essa força para poder finalizar o percurso.
JCV - Qual foi o primeiro sentimento ao cruzar a linha de chegada?
Kelli - Gratidão a Deus, por ter conseguido finalizar a prova.
JCV - Se pudesse voltar ao dia em que começou a correr, o que diria para aquela versão de você mesma?
Kelli - Confia, você vai desbravar muita força que nem imagina que tens.