As ruas de Faxinal não serão mais as mesmas desde a tarde da última terça-feira, quando se espalhou a notícia de que Orides Alves, o folclórico “teche” ou Cantor das Andorinhas, havia sido encontrado sem vida próximo à Ponte do Rio Soturno que liga a Santos Anjos, trajeto que fazia a pé seguidamente, cantando, e normalmente, embalado por alguma “canjibrina”.
Qualquer adulto, jovens e até crianças conheciam o Teche. Ele era uma figura folclórica pelas ruas da cidade, com seu cantar característico, com seus bordões criativos, e com os mais próximos, ele se referia como “o amigo do cantor”. Para as crianças, as “pequetititas”, como se referia a elas, conhecia a maioria e sempre se referia com alguma palavra de carinho.
A sua voz inconfundível dobrava as esquinas. “Lá vem o Teche”, diziam todos, cantando suas músicas preferidas, Cristian e Ralf, Barreirito, ou Querência Amada. Só mudava em época de eleições, quando, conforme a conveniência, e até para ganhar um troco, interpretava os jingles das campanhas. Apesar de ser quase que um homem de rua, tinha o respeito de todos.
Nunca soube de alguém que lhe tenha negado seja um prato de comida, um cobertor, um casaco, ou seja lá o que for para lhe dar um pouco mais de alento. Assim, como nunca soube que tenha desrespeitado alguém ou se apropriado de alguma coisa que não era dele. Até quando necessitava de algo, seja para comer, ou até para um trago, o fazia com toda discrição, pois dizia que não gostava de fazer aquilo.
Quase que diariamente passava em frente à minha casa e sempre interagia. Dias desses, até me disse, acho que sentindo o peso da idade, que precisava parar com a bebida, pois a mesma estava o levando à morte.
Não sei se foi por isso que se foi, mas certamente deve ter colaborado. Sentiremos a falta do Teche, pelas ruas, e também aqui na rádio, onde quase que diariamente vinha pedir uma música. As gurias da secretaria já sabiam que era Camisa Manchada, com Cristian e Ralf ou alguma outra com Barreirito.
Como termômetro do carinho que o povo de Faxinal tinha para com ele, é só olhar para as redes sociais e ver o engajamento que teve a repercussão da sua morte. Não deixou nenhuma marca de desenvolvimento, sempre muito valorizado, mas deixou o exemplo de que, mesmo vivendo miseravelmente, é possível fazer o bem e deixar saudades.
Vá em paz, Orides. Chega lá no céu e cante para os anjos: “As andorinhas voltaram, e eu também voltei…”
Coluna de opinião por: Zenóbio Osmari