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A história de uma mãe que descobriu que também precisava ser escolhida

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São João do Polêsine 01/06/2026
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Jussara Bortoluzzi, de 50 anos, compartilha pela primeira vez a história dela e do seu filho

O Jornal Cidades do Vale abre espaço para o amor. Aquele mais puro, carregado durante anos e que, no momento certo, aconteceu. Com o intuito de inspirar e mostrar que a vida, por meio do universo, de Deus ou de qualquer que seja a crença, se desenha exatamente como precisa ser, a secretária da Fazenda de São João do Polêsine, Jussara Bortoluzzi, de 50 anos, compartilha pela primeira vez a história dela e do filho.

Jussara adotou o pequeno e, em muitos momentos da entrevista, deixou até uma dúvida no ar: será que não foi ele quem escolheu e adotou a mãe Jussara?

Ela conta que a decisão pela adoção nasceu de algo que, segundo ela, sempre existiu dentro do coração, o amor pelo cuidado. “Durante toda a minha vida profissional, ouvi muitas vezes as pessoas dizerem: ‘ela é uma mãezona’, ‘ela ajuda todo mundo’. E isso acabou se tornando uma marca da minha trajetória: estar presente, acolher, cuidar, tratar com carinho e oferecer apoio. Era algo muito natural em mim”, relatou.

Jussara conta que esse jeito de ser foi construído pelos valores recebidos da família e pela convivência próxima com os pais, irmãos e sobrinhos. “Eu cresci vendo união familiar, cuidado e presença. Tudo isso moldou em mim um amor muito grande pelo acolhimento e pela dedicação ao outro”, afirmou.

Com uma vida profissional intensa, a maternidade acabou ficando para depois. Vieram as dificuldades para engravidar naturalmente, tratamentos médicos e, junto deles, o desgaste emocional. “Chegou um momento em que algo ficou muito claro dentro de mim: talvez eu não precisasse mais insistir naquele caminho. Talvez eu pudesse transformar todo aquele investimento em amor e cuidado”, disse.

Foi então que surgiu a decisão pela adoção. Jussara procurou a Vara da Infância e Juventude do Fórum de Santa Maria para entender como funcionava o processo de habilitação. “Eu fui até o segundo andar do Fórum para buscar informações sobre os documentos necessários. Recebi a lista, organizei tudo e levei de volta. E ali também tomei uma decisão muito importante: eu faria isso sozinha”, contou.

Ela explica que o processo exige preparo emocional e maturidade. Entre as etapas, um dos momentos mais delicados foi o preenchimento do formulário sobre o perfil da criança. “É impossível passar por aquilo sem ser profundamente tocada. Existem perguntas sobre idade, sexo, cor, se você aceita irmãos, gêmeos, crianças com deficiência ou alguma condição de saúde. Cada resposta carrega sentimentos, reflexões e responsabilidades muito grandes”, destacou.

Depois da entrega dos documentos, vieram entrevistas com psicóloga, assistente social, encontros com o juiz e reuniões com outros pretendentes cadastrados no Sistema Nacional de Adoção. “Muitas pessoas me perguntam sobre o tempo de espera, mas isso está diretamente ligado às características indicadas naquele formulário preenchido no início da habilitação”, explicou.

Após dois anos e meio com a habilitação concedida, Jussara passou pela renovação do processo, realizando novamente entrevistas e avaliações. “Esse é um cuidado muito importante da Vara da Infância e Juventude. Durante esse período, a vida das pessoas pode mudar. Existem casais que engravidam, pessoas que mudam a rotina, a estrutura familiar ou emocional. Então essa renovação não é apenas burocracia, mas uma forma de garantir que aquela criança encontre um lar preparado para recebê-la”, afirmou.

Paralelamente ao processo, ela também participou dos grupos de apoio e incentivo à adoção oferecidos pelo Fórum. “Foram encontros muito importantes, de troca, acolhimento e preparação. Conviver com outros pais adotivos e ouvir profissionais falando sobre adoção ajudou muito a preparar meu coração para aquele momento tão esperado: a ligação dizendo para buscar meu filho”, relembrou.

E então veio a ligação. “Hoje faz um ano e cinco meses da chegada do meu filho. Na minha ficha, eu não tinha preferência por sexo, mas costumo dizer que foi ele quem me escolheu”, disse emocionada. A chegada do menino transformou completamente a vida da família. “Eu não sabia o quanto eu precisava dele, e não ele de mim, como muitas vezes as pessoas imaginam quando falam sobre adoção”, afirmou.

Jussara também faz questão de destacar que a adoção exige adaptação e construção de vínculo, assim como qualquer maternidade. “As pessoas às vezes imaginam que tudo acontece instantaneamente, mas existe um processo de construção do amor. Você recebe uma ligação e naquele momento conhece o seu filho. O amor vai sendo construído todos os dias, no convívio, no cuidado, na presença, na entrega, no cansaço físico e emocional. Tudo igual”, relatou. “Assim se constrói um amor incondicional que eu não consigo descrever, apenas sentir”, completou.

Ela destaca ainda que o apoio da família foi essencial durante a adaptação. “Poder contar com meus pais, irmãos, sobrinhos e os dindos fez toda diferença. Em especial minha mãe e minhas cunhadas, que se tornaram apoio e referência nessa caminhada”, afirmou.

Uma frase dita pela afilhada resume, segundo ela, o sentimento vivido pela família desde a chegada do menino. “Ela disse: ‘Como conseguimos viver até agora sem o nosso príncipe?’. E eu acho que isso resume muito tudo o que ele representa para nós”, contou.

Jussara afirma que nunca teve dúvidas de que o filho seria amado. “O carinho das pessoas do meu trabalho, da comunidade onde vivem meus pais e meus irmãos, e de todos que convivem conosco é algo que me emociona profundamente”, disse.

Ao compartilhar a própria história, ela afirma receber mensagens de pessoas inspiradas pela experiência e deixa um conselho para quem sente o desejo da adoção nascer no coração. “Se existir qualquer vontade, qualquer ‘eu gostaria’, dê o primeiro passo. Vá até o Fórum. Porque o mais importante é começar. O caminho pode até ser longo, mas o amor que espera do outro lado faz tudo valer a pena”, declarou.

E encerra com uma frase simples, mas carregada de sentimento. “Ele é o grande amor da minha vida”.

 



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