O Jornal Cidades do Vale contou, nesta semana, a história de Maridreia Garlet, de 47 anos. Infelizmente, na manhã desta segunda-feira (30), recebemos a notícia de seu falecimento. Em nome da redação do Jornal Cidades do Vale, expressamos nossos sentimentos aos familiares e amigos. Como forma de homenagem, convidamos os leitores a conferirem a matéria especial realizada com ela. Maridreia colecionava cerca de duas mil piranhas de cabelo.
Maridreia foi diagnosticada, aos nove meses de idade, com epilepsia, uma condição neurológica
O Jornal Cidades do Vale desta semana foi até a localidade de Linha Grande, em Dona Francisca, para conhecer a história de Maridreia Garlet, 47 anos. A reportagem foi recebida pela mãe, Jandira de Pellegrin, que de imediato apresentou a filha e também sua coleção de piranhas de cabelo.
Maridreia foi diagnosticada, aos nove meses de idade, com epilepsia, uma condição neurológica caracterizada por crises recorrentes provocadas por descargas elétricas anormais no cérebro. As manifestações variam e podem incluir convulsões, perda de consciência, movimentos involuntários e alterações sensoriais ou comportamentais.
A mãe conta que a filha coleciona piranhas há cerca de 10 anos. “Depois que o pai faleceu, ela começou com isso, e a coleção foi aumentando. No começo eu comprava algumas, depois as pessoas passaram a dar para ela, e até hoje é assim. Quem conhece já sabe e traz, e ela fica muito feliz com cada uma que ganha.”
Segundo Jandira, na parede do quarto já há mais de duas mil peças. “Ela vem para o quarto, começa a trocar de lugar, organizar, e sabe de cada uma: quem deu e de onde veio. Às vezes, vê uma fora do lugar e já diz que fui eu que mexi. A felicidade dela é ficar lidando com isso.”
A morte do irmão, há quatro anos, intensificou ainda mais o apego aos objetos. “Quando o irmão morreu, ela passou a gostar ainda mais. Agora ela está mais debilitada, mas vem aqui e fica horas em função disso. Não sei explicar o que ela sente, mas a gente vê que ela fica bem.”
Além da parede, improvisada com fios para acomodar a coleção, Maridreia também usa as piranhas no cabelo. “Ela coloca várias. Às vezes venho ver e ela está com a cabeça cheia de piranhas, todas coloridas.”
Emocionada, a mãe destaca as dificuldades. “Não é fácil. Os últimos dias têm sido mais complicados, ela esteve na UTI, então a gente fica atento à saúde dela, mas é um desafio. Ela é tudo que eu tenho, é a minha vida.”
A reportagem também fez questão de presentear Maridreia com uma piranha para a coleção.