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O olhar de quem acompanhou cada passo da trajetória de Jaque Milanesi

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São João do Polêsine 20/07/2026
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O Jornal Cidades do Vale inicia, nesta edição, uma série denominada “As mães dos prefeitos”. A proposta é apresentar um lado pouco visto dos gestores municipais da região

Por trás de cada prefeito ou prefeita existe uma história que começou muito antes da política. Existe uma família, uma infância repleta de sonhos, desafios e aprendizados. E existe alguém que acompanhou tudo isso de perto: a mãe.

Na série especial “Mães de Prefeitos”, o Jornal Cidades do Vale apresenta um lado pouco visto dos gestores municipais da região. Através do olhar materno, a proposta é revelar como eles eram na infância, quais eram seus sonhos, como surgiu o interesse pela vida pública e as emoções vividas durante as campanhas e eleições.

Nesta primeira edição, a trajetória da prefeita de São João do Polêsine, Jaque Milanesi, é contada pelas lembranças da mãe, Dilesia Schmidt, 70 anos, moradora de Pinhalzinho (SC). A conversa aconteceu por chamada de vídeo. Jaque é mãe de três filhos: José, 20 anos, Maria Clara, 18, e João Arthur, 14.

 

Ela já nasceu com espírito de liderança

Ao lembrar da infância da filha, Dilesia se emociona e detalha como a personalidade de Jaque já se destacava desde cedo. “Ela era uma criança muito esperta, muito observadora. Não era daquelas que ficam só quietinhas no canto. Ela participava de tudo, queria entender tudo, queria organizar tudo. E desde pequena já tinha esse jeito de liderança”, relata.

Segundo ela, esse comportamento aparecia tanto na escola quanto nas brincadeiras. “Na escola, as professoras sempre diziam que ela era muito aplicada, muito dedicada. As notas eram sempre muito boas. Não tinha dificuldade, sabe? Era uma menina que aprendia com facilidade e tinha muita vontade de fazer as coisas direito.”

Dilesia lembra ainda que Jaque naturalmente assumia papéis de liderança entre os colegas. “Se tinha trabalho em grupo, ela já estava à frente. Se tinha alguma atividade na igreja, ela também se envolvia e acabava liderando. Ela não precisava que ninguém mandasse, ela já organizava as coisas.”

Entre risos, a mãe recorda uma das histórias mais marcantes da infância. “Teve uma festa junina na escola que ela simplesmente pegou o meu vestido de casamento e o terno do pai dela. Era nossa lembrança de casamento. Ela disse que precisava de figurino para a apresentação. E levou mesmo! Depois a gente descobriu que era ela que tinha organizado tudo lá. Ela sempre foi assim, de criar, de inventar, de liderar.”

 

A saída de casa e o coração de mãe

A mudança de Jaque para estudar fora foi um dos momentos mais difíceis para a família. “Ah, isso para mãe é muito forte. É como ver o passarinho saindo do ninho. Ela sempre foi muito presente aqui em casa, então a gente sentiu muito. Eu senti bastante mesmo”, conta Dilesia.

Mas, segundo ela, havia também o entendimento de que esse era o caminho da filha. “A gente sabe que filho tem que crescer, tem que ir atrás da vida. Então a gente sofre, mas deixa ir. Não tem outro jeito.”

A própria Jaque reconhece o papel decisivo da mãe naquele momento. “Eu saí de casa muito nova, com 16 anos, para estudar. E havia receio da família, principalmente do meu pai. Mas a minha mãe foi quem disse: ‘vai, confia nela, ela vai dar conta’. Isso me marcou muito, porque ela sempre acreditou em mim”, relata a prefeita.

 

A surpresa com a decisão política

Quando Jaque anunciou que seria candidata, Dilesia confessa que a notícia veio acompanhada de surpresa e preocupação. “Eu lembro que parei, sentei e pensei: ‘meu Deus, será mesmo?’. Eu perguntei para ela se tinha certeza, porque política não é fácil. A gente sabe que tem muita cobrança, muita crítica, e às vezes pouco reconhecimento do que é feito de bom.”

O receio, segundo ela, não era pela capacidade da filha, mas pela exposição. “Eu sabia que ela ia dar conta, porque ela é muito capaz. O meu medo era mais da forma como as pessoas lidam com a política. Às vezes fazem uma coisa muito boa, mas qualquer detalhe vira uma grande coisa. E o que é bom, muitas vezes, passa despercebido.”

Mesmo assim, o apoio veio rapidamente. “Depois eu disse para ela: se é isso que você quer, vai. Eu vou te apoiar. Porque eu sei quem você é, sei da tua capacidade e sei que tu vai fazer um bom trabalho.”

 

A vitória e a emoção à distância

O dia da eleição ficou marcado pela emoção, mesmo à distância. “Eu queria muito estar ai em Polêsine, abraçar ela naquele momento. Mas não deu. Então eu acompanhei tudo daqui de Pinhalzinho”, lembra Dilesia.

A notícia da vitória chegou por ligações e mensagens. “Ela nem conseguiu me ligar na hora. Foram outras pessoas que ligaram contando. E ali começou uma festa aqui também. Foi uma emoção muito grande. Eu chorei, chorei mesmo. De alegria, de orgulho, de tudo junto.”

 

Orgulho e defesa incondicional

Mesmo distante, Dilesia acompanha a rotina da filha e não esconde o orgulho. “Eu sempre defendo ela. Quando alguém fala alguma coisa, eu digo: vocês não conhecem o trabalho que ela está fazendo. Ela está se dedicando muito, está fazendo um trabalho sério, com responsabilidade.”

Para ela, a trajetória da filha é motivo de orgulho constante. “Ela sempre foi assim. Desde pequena. Muito dedicada, muito correta, muito firme no que faz.”

 

Jaqueline ou Jaque?

Questionada sobre a forma como a região passou a se referir à filha, dona Dilesia ressalta que prefere o nome completo. “Pois então, eu costumo chamar de Jaqueline, porque eu batizei ela como Jaqueline. Sempre digo que esse é o nome dela. Às vezes o pessoal chama de Jaque, para encurtar, mas para mim ela é Jaqueline”, explica a mãe.

Segundo ela, a escolha do nome teve influência de referências que surgiram na época. “O nome veio porque uma senhora nos apresentou esse nome em uma lista. Era um nome que eu achei bonito, de origem estrangeira, e que me chamou atenção. Diziam que era o nome de uma mulher importante lá fora. Então acabamos escolhendo Jaqueline”, relembra.

 

Distância, saudade e afeto

A distância de cerca de 430 quilômetros entre Pinhalzinho (SC) e São João do Polêsine (RS) é um dos maiores desafios da relação. “É longe, né? E a gente sente. Mãe sente. Às vezes passa muito tempo sem ver. Eu acompanho mais pelas redes sociais, pelas notícias. Mas o coração fica apertado.”

Ainda assim, os encontros são marcados por emoção. “Quando a gente consegue se ver, é sempre muito bom. Eu fui no aniversário dela recentemente, fiquei com ela. Mas não é como a gente gostaria, né? A vida vai separando um pouco”, destacou Jaque. 

 

Uma mensagem de mãe

Ao final da conversa, Dilesia deixa uma mensagem carregada de emoção para a filha:. “Filha, eu te desejo tudo de bom. Que tu continue sendo essa pessoa firme, dedicada, que pensa no bem das pessoas. Eu tenho muito orgulho de ti. Muito mesmo. E mesmo de longe, eu estou sempre contigo, torcendo, rezando e acompanhando tudo. “Que esse mandato seja de muito sucesso, de muito trabalho e de muita luz. A mãe sempre vai estar aqui, mesmo longe.”

Em resposta, Jaque fez questão de reconhecer a importância da mãe em sua trajetória. "Ninguém constrói a própria história sozinho. Minha mãe sempre esteve ao meu lado nas decisões mais importantes da minha vida. Quando precisei sair de casa para estudar, foi ela quem acreditou em mim e me incentivou a seguir em frente. Muito do que sou hoje devo aos ensinamentos que recebi dela."

 



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